advertisemen tAs empresas públicas de electricidade de Cabo Verde perdem quase um quarto da energia que produzem, sobretudo devido a ligações ilegais, de quem consome, sem pagar, reconheceu nesta quarta-feira (29) o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, num debate parlamentar sobre o sector. “As perdas são um problema” que, ainda assim, se tem reduzido: de 27,3% em 2016 para 22,7% da energia produzida, em 2024, referiu Ulisses Correia e Silva, estimando o prejuízo mensal em 1,7 milhão de euros. “A maior parte das perdas técnicas estão concentradas no roubo de energia, e a maior parte na ilha de Santiago”, detalhou, em resposta ao deputado António Monteiro, da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID). O deputado suscitou a questão, ao perguntar o que é que o Governo pensa fazer, tendo em conta que “a perda de energia na ilha de Santiago (e capital, Praia) equivale à produção na central eléctrica da ilha de São Vicente”, a segunda ilha mais povoada. “Isto é uma aberração, é inaceitável, e não vemos qualquer atitude do Governo para ajudar a Electra (empresa estatal de electricidade de Cabo Verde) a debelar esta situação”, acrescentou. As perdas, a par de dívidas acumuladas junto das empresas públicas de electricidade, contribuem para que não haja recursos para manutenção de geradores, referiu António Monteiro, numa alusão aos apagões que, desde o início de Setembro, afectam a capital, Praia, e a que o primeiro-ministro prometeu pôr cobro. Ulisses Correia e Silva referiu que já se avançou com “a criminalização desta tipologia de crime” de desvio de electricidade e, desde 2017, foram abertos 6584 processos-crime, com 1102 condenações e mais de cinco mil a aguardar decisão. O primeiro-ministro referiu haver urbanizações desestruturadas, “com assentamentos e construções que não cumprem requisitos para ter acesso às redes, sendo que as pessoas se desenrascam utilizando indevidamente a energia.” Os apagões afectam a capital e a ilha de Santiago desde o início de Setembro Neste contexto, considera que é necessário um “trabalho de sensibilização”, a par de uma acção da justiça que “tem de ser efectiva relativamente à punição” de uma prática “que não pode entrar na normalidade” da gestão pública. Durante o debate parlamentar, em que enfrentou críticas face aos apagões que afectam a capital e a ilha de Santiago desde o início de Setembro, Ulisses Correia e Silva prometeu a estabilização do fornecimento de electricidade. “Estamos cientes dos elevados prejuízos e incómodos que os cortes de electricidade provocam nas pessoas, nas empresas e noutras organizações”. Há medidas que continuam a ser tomadas “para estabilizar e normalizar o serviço de electricidade”, referiu o governante. A par dos “trabalhos de recuperação dos grupos geradores, estão em curso acções de investigação técnica, criminal e cibernética às avarias na Central de Palmarejo, face à situação anormal de ocorrências”, acrescentou. Fonte: Lusa
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