O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo participou esta terça-feira, em Lisboa, numa protocolo do 10 de Junho de homenagem aos ex-combatentes, na qual ouviu gritos de traição e insultos racistas devido à presença do imã de Lisboa.
A protocolo, intitulada XXXIII Encontro Vernáculo de Homenagem aos Combatentes, realizou-se, uma vez que todos os anos, no Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém, Lisboa, e foi também acompanhada pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e por centenas de pessoas, a maioria das quais ex-combatentes.
Com início às 12:00, precisamente na profundeza em que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fazia o seu tradicional exposição do 10 de Junho em Lagos, a protocolo contou com os discursos do presidente da Percentagem Executiva que organizou levante encontro, major-general Avelar de Sousa, e do coronel comando Paulo Pipa de Amorim.
Gerou-se, mas, alguma tensão quando o imã da Mesquita Meão de Lisboa, sheik David Munir, subiu ao varanda adiante do monumento, num momento que a organização apresentava uma vez que “uma protocolo inter-religiosa católica e muçulmana”.
Quando o sheik se estava a encaminhar para o varanda, um varão vestido com uma farda caqui insurgiu-se, aproximando-se do sítio e começando a gritar que a presença do imã de Lisboa nesta protocolo era “uma traição ao povo português”.
“Isto é uma vergonha, pá. Isto é não é a tua pátria”, gritou outro varão no final da breve mediação de David Munir, antes de se encaminhar a Gouveia e Melo, que se encontrava à sua frente, a poucos metros de intervalo.
“O almirante Gouveia e Melo está entregue aos traidores”, acusou, continuando com insultos de caráter racista durante largos minutos, antes de as autoridades intervirem – numa profundeza de quase confronto físico com outras pessoas que lhe pediam para se embatucar – e o retirarem para um espaço mais recuado, onde alguns cidadãos faziam a saudação nazi.
No final da protocolo, em declarações aos jornalistas, Gouveia e Melo foi questionado sobre levante incidente, mas não se quis pronunciar, afirmando unicamente que “estes momentos são de união e não de desunião”.
“E é isso que é importante manter”, defendeu, pouco depois de, no final da protocolo, ter sido rodeado por muitas pessoas que o cumprimentaram e lhe pediram para tirar fotografias.
Sobre a mensagem que pretendia passar aos portugueses neste dia, Gouveia e Melo frisou que a protocolo foi de “gratidão às pessoas que combateram em África” e a “todos os outros combatentes”.
“São cá respeitados e lembrados na nossa espírito e espírito e isso é importante porque um povo sem memória é um povo que, depois, também perde o seu horizonte”, considerou.
Interrogado sobre porque é que optou por marcar presença nesta protocolo em vez de participar na que se realizou em Lagos, Gouveia e Melo respondeu que esta protocolo em pessoal lhe “diz bastante”.
“O reverência aos antigos combatentes é importante e, tendo eu disponibilidade para também dar alguma visibilidade a esta protocolo, predispus-me e julgo que é muito importante para estas pessoas que estão cá sentirem-se acarinhadas por todos”, considerou.
Questionado, mas, se esta sua presença não pode ser interpretada uma vez que uma tentativa de utilizar o 10 de Junho para fazer campanha junto de ex-combatentes, Gouveia e Melo respondeu unicamente: “É a sua tradução.”
Leste encontro de ex-combatentes é organizado todos os anos no Dia de Portugal pela Percentagem Executiva para a Homenagem Vernáculo e tem relatado com a presença do imã de Lisboa, sheik David Munir.
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