
Tudo começou no sábado, quando a jornalista e escritora recorreu ao motor de busca Google, que usa inteligência artificial (IA), com a pergunta “quem é Anabela Natário” e a resposta resultou em informações falsas, difamatórias e com impacto reputacional. Contactado pela Lusa, um porta-voz da Google adiantou hoje que a questão estava resolvida. “Investigámos o problema imediatamente, removemos o resultado e podemos confirmar que já não está a ser apresentado”, disse a fonte, referindo que “o Modo IA foi concebido para exibir informações de alta qualidade com base nos resultados da ‘web”. Nesse sentido, “quando surgem problemas – como quando os nossos recursos interpretam incorretamente o conteúdo da ‘web’ ou perdem algum contexto – utilizamos estes exemplos para melhorar os nossos sistemas e podemos tomar medidas de acordo com as nossas políticas, como fizemos neste exemplo”, concluiu a mesma fonte. Em declarações à Lusa, Anabela Natário confirmou que a informação “já foi alterada” – constatou isso mesmo hoje de manhã -, salientando que nem há uma nota a dizer que o conteúdo anterior é mentira. Apesar da alteração, a jornalista e escritora disse que não está descansada com o assunto, até pelo impacto que uma informação dada pela IA pode ter na reputação de qualquer um. “A vontade de processar é simplesmente para alertar para que isto não se passe” com mais pessoas, acrescentou. À pergunta “Quem é Anabela Natário”, de acordo com a própria, partilhado num ‘post’ (publicação) nas redes sociais, o Google começou por dar informações incompletas da sua biografia nos resumos da Google e, numa primeira resposta, afirmou: “Em 2021, Anabela Natário foi candidata nas listas do partido Chega à Câmara Municipal de Oeiras”. Face a isto, a jornalista e escritora reclamou logo no sábado. No domingo, pelas 10h55, depois de ter feito nova pesquisa sobre “Quem é Anabela Natário”, a resposta da IA da Google veio com um acrescento: “Foi acusada de promover a supremacia branca nas suas redes sociais, dando espaço a figuras controversas”. Cerca de um minuto depois, de acordo com informação partilhada pela própria à Lusa, o conteúdo sobre atividade política recente indicou: “Candidatura política: Em 2021, Anabela Natário foi candidata nas listas do partido Chega à Câmara Municipal de Oeiras”. Na segunda-feira, pelas 12:01, o português tinha sido alterado, já não falava de candidatura política, mas sim de “envolvimento político” e a informação era substancialmente a mesma sobre a candidatura e a supremacia branca. Depois da informação corrigida, a biografia de Ababela Natário já não surge no resumo da Google, mas apenas numa busca normal. “Se não conseguem dominar o que produzem não podem torná-lo público, contribuindo ainda mais para a desinformação. A IA está aí para ajudar o ser humano, não para o destruir. Posto isto, acabo como comecei, vou processar a ou o, como queiram, Google (mais precisamente, a Alphabet) por difamação”, referiu Anabela Natário no seu ‘post’ no fim de semana. A avançar com um processo contra a tecnológica, a jornalista e escritora não será a primeira a fazê-lo. Leia Também: Google com acordo para reativar central nuclear para ter energia para IA
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