A Google apresentou, na Federação Nacional de Vendas (NRF), a maior associação comercial de retalho do mundo, sediada nos EUA, um novo padrão aberto que permite a agentes de Inteligência Artificial (IA) descobrir, comparar e concluir compras de forma autónoma.

Segundo a revista Exame, “em vez de digitar palavras-chave, o cliente descreve o que deseja em linguagem natural. A Inteligência Artificial entende o pedido, compara opções e fecha a compra dentro da própria conversa.”

Essa é a lógica do Universal Commerce Protocol, padrão aberto anunciado por Sundar Pichai, CEO da Google. O sistema cria uma linguagem comum entre plataformas de IA e os sistemas dos vendedores, permitindo que agentes digitais façam a jornada completa da compra, da descoberta ao pagamento.

Segundo Pichai, a proposta responde a uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. “Há 20 anos, a mudança foi para a web. Dez anos depois para o mobile. Agora vivemos uma reprogramação da tecnologia”, afirmou.

A Google afirma que a transição já começou. A utilização das suas API de IA por retalhistas cresceu 11 vezes no último ano. Ao mesmo tempo, ferramentas como Gemini e a procura por Inteligência Artificial ampliaram o volume de pesquisas feitas em formato de conversas, reduzindo a dependência de filtros e navegação tradicional.

No novo modelo, o consumidor conversa com a IA sobre o produto desejado. O agente consulta stocks, preços, prazos de entrega e condições de pagamento. A finalização da compra acontece na própria interface da conversa. O vendedor continua a ser responsável pelo pagamento, pela entrega e pelo relacionamento com o cliente.

Entre os parceiros no desenvolvimento do protocolo estão a Shopify, Etsy, Wayfair, Target e Walmart.

A Walmart foi apresentada como caso prático dessa integração. A empresa americana passará a operar um agente de compras dentro do Gemini, permitindo que clientes conectem as suas contas e recebam ofertas e prazos de entrega personalizados. “Estamos a fechar a lacuna entre ‘eu quero’ e ‘eu tenho’”, disse John Furner, CEO da Walmart nos Estados Unidos.

​​A parceria inclui ainda a expansão do Wing, braço de entregas por drones da Alphabet, em pontos da Walmart. A cobertura chegará a 40 milhões de pessoas nos Estados Unidos.

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