As autoridades do distrito de Bilene, província de Gaza, região Sul de Moçambique, revelaram que serão conhecidos, até finais do primeiro trimestre deste ano, os resultados da pesquisa sobre a existência de areias pesadas naquela área. Citado pela Rádio Moçambique, o administrador daquele distrito, Momade Araújo, explicou que, caso os resultados sejam positivos, a exploração de areias pesadas poderá criar condições para o crescimento económico local e da província, contribuindo também para a geração de emprego para os jovens. Neste sentido, para uma melhor implementação das actividades no futuro, o governante revelou estarem a decorrer, actualmente, “trabalhos de sensibilização das comunidades que serão abrangidas pelo projecto, com vista a contribuir e participar em todos os processos.” Areias pesadas são depósitos minerais costeiros ricos em minerais densos, como ilmenita, rutilo, zircão e outros, usados ​​na produção de titânio, pigmentos e materiais industriais. Esses depósitos são abundantes na costa leste, especialmente nas províncias de Nampula, Gaza, Inhambane e Zambézia, representando uma parte estratégica da economia mineral do País. Em termos específicos, a mina de Moma, localizada em Nampula, e operada pela Kenmare Resources (Irlanda), é uma das maiores produtoras mundiais de concentrado de minerais pesados ​​(HMC), contribuindo com cerca de 7-8% do suprimento global de ilmenita e rutilo. Em 2025, a empresa manteve as metas de produção, apesar dos desafios climáticos e da demanda global mais lenta, com 298 400 toneladas de HMC no terceiro trimestre. A província de Gaza já é reconhecida por possuir areias pesadas, concretamente no distrito de Chibuto, onde a chinesa Dingsheng Minerals se dedica à sua exploração, possuindo uma fábrica orçada em 700 milhões de dólares, instalada numa área de três mil hectares e equipada com duas linhas de produção capazes de processar 10 mil toneladas de minerais por dia, sobretudo minérios de titânio. Em Inhambane, o arranque da exploração das vastas reservas de areias pesadas descobertas nos distritos de Jangamo e Inharrime continua sem data marcada, apesar do elevado potencial económico que o projecto representa para o País. Confirmada em 2017, a existência de 4,4 biliões de toneladas deste recurso mineral é considerada estratégica para a economia nacional e para o reforço das exportações. Dois anos depois, em 2019, o Governo concedeu à empresa Mutamba Mineral Sands uma licença mineira de 25 mil hectares, mas, seis anos após a concessão, a exploração não arrancou devido à falta do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT), documento imprescindível para qualquer operação mineira. Entretanto, no distrito de Pebane, província da Zambézia, a actividade mineira da empresa África Mining, de capitais chineses, permanece suspensa devido à ocupação das instalações e infra‑estruturas por parte de membros da comunidade local, que contestam o alegado incumprimento de promessas sociais feitas pela empresa.

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