Rivlin, que é membro da equipa vencedora do prémio Pulitzer 2017, esteve em Portugal a convite da RedBrigde Lisbon, no âmbito de um dos encontros mensais que promove. “Diria que me inclino para o otimismo”, disse, quando questionado relativamente à inteligência artificial (IA)). Gary Rivlin, que desde final de 2022 tem estado focado no tema da IA, lançou recentemente o livro “AI Valley”, que aborda os pioneiros nos avançados desta tecnologia. “Penso que a IA pode fazer coisas incríveis pela ciência, estabelecer ligações entre disciplinas e subdisciplinas que têm a sua própria linguagem e coisas desse género”, aponta. Alias, a IA pode “estabelecer ligações que nenhum ser humano conseguiria”. Por exemplo, na medicina, a inteligência artificial “vai criar todo o tipo de curas e tratamentos” e na educação todas as crianças vão passar a ter “um tutor no bolso” que poderá descobrir o que não percebem e fornecer o tipo de informação necessária para que se compreenda determinado tema, diz. Portanto, “isso é um lado positivo, mas, eu poderia” elencar os pontos negativos, refere o autor de mais de uma dezena de livros, escritor de revistas, editor e ‘ghost writer’. Um dos temas que o preocupa é a questão do clima, porque a tecnologia tem um elevado consumo energético. “É um enorme, enorme, enorme consumidor de energia”, enfatiza Gary Rivlin, e isso “vai pressionar aqueles que tentam combater as alterações climáticas”. Nos Estados Unidos, “houve toda esta pressão das grandes tecnológicas para deixarem de usar carvão, para deixarem de depender do gás”, aponta. Agora, “de repente, mudaram de posição porque” pensaram: “Espera, precisamos de gás, precisamos de carvão para abastecer os nossos ‘data centres’ (centros de dados), os locais que operam estes modelos” de inteligência artificial, relata. Outro motivo de preocupação é o uso da IA ​​para a vigilância, para a guerra. “Isso preocupa-me realmente”, admite Gary Rivlin. Até porque a IA “é muito boa a manipular pessoas”, dando o exemplo de estudo publicado recentemente, que “mostrou que a IA é muito melhor a manipular pessoas do que os humanos, algo como 50% ou 60%” e “é aí que a tecnologia está agora”. Com o tempo, a tecnologia vai ficando mais aprimorada, seja para fazer comprar ou acreditar em algo, e “isso assusta-me”, diz. Além disso, a inteligência artificial “está nas mãos de apenas algumas grandes empresas tecnológicas”. Agora, se isso fosse “mais descentralizado, se houvesse uma série de empresas, todas a surgir com produtos diferentes, mas temo (que a IA) seja dominada apenas por algumas empresas”, remata. A RedBridge Lisbon é um clube transfronteiriço que liga as comunidades empreendedoras e de investidores de Silicon Valley e Lisboa. O clube, que organiza eventos regulares e encontros de membros em Lisboa e São Francisco, promovendo a interação entre o ecossistema local e a comunidade internacional, e fomentando novas parcerias e projetos, tem Filipa Pinto Carvalho como cofundadora. Leia Também: IA é uma “tecnologia transformadora” que está nas mãos de poucos

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