A Fundação Joaquim Chissano defendeu na quinta-feira (21), no Fórum Africano de Diplomacia e Turismo, a importância de posicionar o turismo como um dos pilares centrais do desenvolvimento económico sustentável em África, através de uma diplomacia activa e de investimentos estratégicos que valorizem as comunidades e os recursos naturais do continente.
Intervindo como patrono da fundação que leva o seu nome, o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, destacou que a promoção da paz, da reconciliação nacional e da identidade cultural africana são elementos fundamentais para transformar o turismo numa força motriz do crescimento inclusivo.
“O turismo africano deve ser visto não apenas como uma fonte de receitas, mas como uma oportunidade para promover a paz, criar emprego, impulsionar o investimento e consolidar a imagem positiva do continente no mundo”, afirmou.
Com base em dados recentes, Chissano sublinhou que o turismo representa já cerca de 6% da economia africana, gerando mais de 170 mil milhões de dólares por ano e criando mais de 24 milhões de postos de trabalho. No entanto, defendeu que este número “representa apenas uma fracção do potencial real do sector”, sendo necessário investir em capital humano, infra-estruturas, conservação ambiental e governança responsável.
O antigo estadista destacou exemplos emblemáticos de diplomacia transformadora, como a criação dos parques de paz transfronteiriços — entre eles o Grande Parque do Limpopo e o Parque Kavango-Zambeze (KAZA) — e o modelo de co-gestão comunitária do Parque Nacional da Gorongosa, apontando-os como casos de sucesso que mostram o poder do turismo para unir povos e proteger a biodiversidade.
A Fundação Joaquim Chissano propõe ainda que os países africanos utilizem a diplomacia como ferramenta de cooperação regional e internacional para criar pacotes turísticos integrados, promovendo segmentos como turismo de conservação, religioso, cultural, de saúde e de aventura, com especial atenção às comunidades locais como principais beneficiárias dos projectos.
Chissano defendeu também a necessidade de reformas estruturais que tornem o ambiente de negócios mais competitivo e transparente, para atrair investimento directo estrangeiro e evitar que o desenvolvimento do sector seja capturado por interesses alheios ao bem-estar das populações.
“O turismo sustentável em África exige liderança política firme, paz duradoura, cooperação multilateral e, sobretudo, um compromisso real com o bem-estar dos africanos”, concluiu.
O Fórum Africano de Diplomacia e Turismo teve lugar entre os dias 20 e 22 de Agosto, sob o lema “Desbloquear o potencial do turismo em África, através da diplomacia e investimento”.
Durante três dias, o encontro reuniu membros de governos africanos, representantes da União Africana, da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), de instituições internacionais, bem como entidades dos sectores público e privado ligados ao turismo. O evento proporcionou um espaço de diálogo qualificado e permitiu a definição de estratégias para posicionar o turismo como motor do desenvolvimento económico sustentável e da integração regional em África.
Texto: Felisberto Ruco
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