A Inteligência Artificial (IA) e o Big Data estão a transformar a forma como a comunicação é pensada e executada em Moçambique. A declaração foi feita durante a 3.ª Edição do Fórum de Comunicação, Marketing e Relações Públicas (COMARP 2025), que decorreu esta quinta-feira (11), em Maputo. O evento contou com um painel de especialistas e académicos que discutiram os desafios e oportunidades da era digital para a comunicação estratégica. O debate reuniu Filipe Manuel Pereira, director-geral da CARMA CPLP – empresa global especializada em media intelligence, com sede no Dubai –, Marlene Chambule, directora de Pessoas, Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa da Galp Moçambique, Emília Jubileu Moiane, directora do Gabinete de Informação, Cláudia Manjate, directora de Relações Governamentais e Engajamento Institucional da Vodacom, e Sérgio Jeremias Langa, professor e investigador, que apresentaram perspectivas complementares sobre o impacto das novas tecnologias na comunicação. Filipe Manuel Pereira alertou que “por base, nós estamos a falar de dados”, mas defendeu que a verdadeira utilidade está na sua transformação em informação, conhecimento e inteligência. Destacou que “não basta termos métricas de quantificação com gráficos bonitos, mas sim insights que realmente mudem comportamentos”, apontando para a necessidade de estratégias mais profundas. O director-geral da CARMA CPLP frisou ainda que “a verdadeira transformação digital não é na tecnologia, é na cultura e na capacidade que as pessoas têm de utilizar essa tecnologia”. E chamou a atenção para a exclusão digital: “Ao circunscrever-nos apenas ao digital, estamos a excluir 80 a 90% da população”, tendo em conta que apenas cerca de 10% da população moçambicana tem acesso efectivo à tecnologia. Pereira reforçou que o uso da Inteligência Artificial exige responsabilidade. “Quem tem dados e informação tem de ter a ética de saber que não deve manipular nem apresentar uma facção parcial da realidade”, defendeu. Apesar das vantagens em velocidade e escala, lembrou que a IA “não tem empatia” nem consegue interpretar “as nuances culturais como sarcasmo ou ironia”. “Comunicar hoje já não é informar, é transformar” Por sua vez, Marlene Chambule trouxe uma abordagem prática baseada na sua experiência na Galp Moçambique. Afirmou que a implementação de uma cultura organizacional eficaz “pode durar entre 3 a 5 anos” e começa pelo questionamento interno: “Nós não vemos o mundo como ele é, vemos o mundo como nós somos”, salientou. A responsável destacou ser essencial trabalhar com dados reais e não com percepções ou suposições e partilhou exemplos de pesquisas realizadas para perceber como os jovens e clientes viam a marca, sublinhando que “muitas vezes, ao invés de trabalhar dados, nós trabalhamos suposições.” Reforçou ainda que mudanças eficazes exigem informação concreta e validada. A directora de Pessoas, Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa da Galp Moçambique explicou ainda que a transição do tradicional para o digital envolve estratégias inovadoras, como o uso de influencers para recrutamento, programas de estágios e fortalecimento da comunicação interna. Defendeu uma comunicação proactiva, dizendo que “é preciso criar eventos e gerar conteúdo para engajar stakeholders”, e que os colaboradores devem ser “embaixadores da marca”. Já Sérgio Jeremias Langa destacou que “comunicar hoje já não é informar, é transformar”. Enquadrando a comunicação no contexto histórico e sociopolítico do País, afirmou que Moçambique passou de um cenário de monopólio para um estágio em desenvolvimento. No entanto, alertou que a comunicação só será eficaz “se respeitar dados que advêm de estudos e não percepções individuais.” Texto: Florença Nhabinde

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