advertisement As Forças de Defesa e Segurança (FDS) estão a intensificar operações militares nas matas de Macomia, província de Cabo Delgado, visando perseguir supostos terroristas que circulam na região, informou esta quarta-feira, 17 de Setembro, à Lusa uma fonte oficial ligada às operações no terreno. Segundo a fonte, as acções incluem bombardeamento aéreo, perseguição e reconhecimento dos movimentos dos insurgentes nos postos administrativos de Quiterajo e Mucojo, a cerca de 70 e 40 quilómetros da vila sede de Macomia, respectivamente, onde as operações decorrem há quase dez dias. “Desde o dia 7 de Setembro, as zonas de Quiterajo e Mucojo têm sido alvo da acção militar. Houve reforço de material, incluindo meios aéreos para bombardeamento”, explicou a fonte, acrescentando que as FDS procuram impedir novos ataques e restaurar a segurança na região. Os combates, contudo, têm provocado a fuga de vários residentes para a vila sede de Macomia, por receio de represálias dos grupos armados. “Há famílias que saem por medo, não porque foram atingidas. Aliás, a força ampara muito bem os residentes”, referiu a fonte. De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o total de deslocados devido à recente vaga de ataques no norte do País subiu para 5770 pessoas, nos últimos dias, em três distritos de Cabo Delgado. Um relatório de situação da OIM, com dados recolhidos até 15 de Setembro, indica que a “escalada” de ataques e o “aumento de medo e violência” ocorreram entre 25 de Aagosto e 11 de Setembro, nos distritos de Muidumbe, Mocímboa da Praia e Montepuez. A nova onda de insegurança levou ao deslocamento de cerca de 1471 famílias: 3271 pessoas de Mocímboa da Praia, 2230 de várias localidades de Muidumbe e 269 de Montepuez. Em apenas quatro dias, o número de deslocados aumentou em 1500. Do total de deslocados, 2601 são crianças, 235 idosos e 131 mulheres grávidas, de acordo com o mesmo relatório. No final de Julho, ataques de grupos terroristas no distrito de Chiúre já tinham provocado mais de 57 mil deslocados, segundo dados anteriores da OIM. Desde o dia 7 de Setembro, as zonas de Quiterajo e Mucojo têm sido alvo da acção militar. Houve reforço de material, incluindo meios aéreos para bombardeamento A província de Cabo Delgado enfrenta um recrudescimento da violência desde Julho, com ataques reportados em Chiúre, Muidumbe, Quissanga, Ancuabe, Meluco e, mais recentemente, Mocímboa da Praia. O Governo, através do porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, lamentou os ataques, reforçando que “é papel do Estado perseguir, retardar e travar os ataques para que a população tenha menos sofrimento possível”. “Lamentamos este infortúnio, mas não paramos nesta componente da lamentação, por isso é que estamos com forças empenhadas para o efeito. Detalhes adicionais serão fornecidos pelas entidades de segurança no terreno ou pelos responsáveis ao nível central”, afirmou o responsável. Dados do Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS), uma instituição académica do Departamento de Defesa do Governo norte-americano, revelam que, só em 2024, pelo menos 349 pessoas foram mortas em ataques no norte de Moçambique, a maioria reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico, um aumento de 36% em relação ao ano anterior.advertisement
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