advertisemen tO mais recente Relatório Económico Regional para a África Subsaariana do Fundo Monetário Internacional (FMI) traça um quadro cautelosamente optimista. Intitulado Holding Steady (“Numa Trajectória Estável”), o relatório prevê um crescimento regional de 4,1% em 2025, com uma modesta aceleração em 2026, à medida que as reformas se consolidam nas principais economias. Resiliência face à adversidade De acordo com o FMI, a África Subsaariana continua a demonstrar um crescimento “surpreendentemente resiliente”, apesar dos desafios globais crescentes — desde o endurecimento das condições financeiras e a fragmentação do comércio até à redução da ajuda ao desenvolvimento. Países como o Benim, a Costa do Marfim, a Etiópia, o Ruanda e o Uganda permanecem entre os que mais crescem a nível mundial, enquanto as nações ricas em recursos e afectadas por conflitos continuam a enfrentar uma expansão mais lenta do rendimento per capita. O relatório sublinha que esta resiliência “não pode ser tida como garantida”. O elevado peso da dívida, a inflação persistente e o limitado espaço orçamental continuam a restringir a capacidade da região para absorver choques futuros. Um ambiente externo exigente O FMI adverte que o contexto global permanece altamente incerto. As economias exportadoras de petróleo terão de lidar com preços mais fracos, enquanto os exportadores de cacau, café, cobre e ouro beneficiarão de preços ainda bastante acima dos níveis anteriores à pandemia. O financiamento externo, embora a melhorar lentamente, mantém-se apertado. Os rendimentos das obrigações soberanas continuam elevados, mesmo com o regresso dos fluxos de capitais após vários anos de saídas líquidas. Segundo o relatório, Quénia e Angola já testaram o mercado com novas emissões de eurobonds, sinalizando uma confiança ainda incipiente nos mercados de dívida africanos. Entretanto, os custos do serviço da dívida pública estão a aumentar de forma acentuada. Prevê-se que a relação entre pagamentos de juros e receitas na África Subsaariana se mantenha muito acima das médias globais, deixando “pouca margem para despesas de desenvolvimento.” Prioridades de política: receita e gestão da dívida Um foco especial do relatório centra-se na mobilização de receitas internas e no reforço da gestão da dívida — dois pilares considerados essenciais para um crescimento sustentável. O FMI estima que uma administração fiscal mais eficiente e reformas orçamentais direccionadas poderiam aumentar as receitas em dois a três pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) em muitas economias. A digitalização, os sistemas de cumprimento baseados no risco e a transparência na execução das despesas públicas surgem como recomendações recorrentes. No domínio da dívida, o relatório defende uma maior transparência, endividamento prudente e quadros mais robustos de gestão das finanças públicas. O Fundo destaca exemplos de sucesso, como o compromisso do Benim em publicar estatísticas da dívida e estratégias de gestão a médio prazo. O documento explora ainda mecanismos inovadores de financiamento, incluindo modelos de financiamento misto e trocas de dívida por desenvolvimento, já em fase de ensaio na Costa do Marfim e no Gabão para apoiar programas de educação e ambientais. O que isto significa para investidores e decisores políticos As Perspectivas Económicas Regionais 2025 do FMI confirmam que o crescimento da região se mantém, em termos gerais, sólido, mas cada vez mais dependente da disciplina das políticas internas e das reformas de governação. Para os decisores políticos, o relatório serve de roteiro: reforçar a estabilidade macroeconómica, manter a transparência e consolidar a resiliência. Para os investidores, constitui um sinal de que as economias africanas orientadas para a reforma continuam a oferecer oportunidades atractivas — mesmo face a ventos contrários globais. Como o Fundo sintetiza de forma certeira, a África Subsariana encontra-se “num caminho estável”, mas esse caminho deve ser mantido através de uma acção política decidida. Fonte: Further Africa

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