advertisemen tO Fundo Monetário Internacional (FMI) poderá desembolsar cerca de 3,3 milhões de dólares à Guiné-Bissau, na sequência de um acordo técnico alcançado com as autoridades nacionais no âmbito da nona e décima revisões da Facilidade de Crédito Ampliado (ECF, na sigla em inglês). No entanto, o desembolso continua sujeito à aprovação do Conselho de Administração da instituição e à implementação de um conjunto de medidas previamente acordadas. Segundo o comunicado divulgado após a missão técnica realizada a Bissau, entre 3 e 13 de fevereiro, “se a revisão for completada, a Guiné-Bissau terá acesso a aproximadamente 3,3 milhões de dólares”. O Fundo reconhece que o programa sofreu atrasos na sequência da mudança de poder ocorrida em novembro de 2025, mas ressalta que as autoridades de transição demonstraram compromisso em cumprir os objetivos acordados. A implementação foi temporariamente afetada pelo contexto político e por condições financeiras regionais mais restritivas, que agravaram as limitações de financiamento. Como parte do entendimento agora alcançado, foi igualmente acordada a prorrogação do programa por cinco meses, até 29 de dezembro de 2026. O objetivo, segundo a instituição, é consolidar as políticas econômicas em curso e apoiar a execução do orçamento do ano em curso, considerado determinante para assegurar a sustentabilidade da dívida pública. Segundo o chefe de Missão do FMI à Guiné-Bissau, Niko Hobdari, citado no documento, o crescimento econômico deve ter atingido 5,5% em 2025, enquanto a inflação terá desacelerado para 0,9%. A dívida pública, por sua vez, deve ter recuado para 74,3% do Produto Interno Bruto (PIB), números que, se confirmados, indicam uma trajetória de estabilização em um ambiente ainda frágil. O Fundo enfatiza que a consolidação fiscal e políticas prudentes de endividamento são essenciais para manter a dívida em uma trajetória descendente de médio prazo. Entre as medidas adotadas pelas autoridades destacam-se o reforço do controle de gastos e a imposição de um limite máximo zero para determinadas despesas comuns nos últimos meses. As autoridades já implementaram várias ações corretivas acordadas durante a nona missão de revisão, em outubro, e avançaram com medidas adicionais tanto do lado da receita quanto da despesa, consideradas pré-condições para a conclusão das revisões combinadas. O programa de assistência financeira à Guiné-Bissau foi aprovado em janeiro de 2023, com um valor inicial de 37,9 milhões de dólares, posteriormente reforçado para cerca de 53 milhões de dólares. Até o momento, o país já recebeu aproximadamente 50 milhões de dólares sob o referido mecanismo. Guiné-Bissau é, atualmente, governado por um Conselho Nacional de Transição, enquanto aguarda eleições marcadas para este ano Para os mercados e parceiros multilaterais, o sinal mais relevante está na continuidade do compromisso com o programa, mesmo em contexto político adverso. A manutenção do apoio do FMI constitui não apenas uma âncora financeira, mas também um fator de credibilidade externa em um período em que o país enfrenta severas restrições de liquidez e dependência de financiamento concessional. Os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau, em 26 de novembro de 2025, três dias depois das eleições gerais e um dia antes da divulgação dos resultados oficiais, e o país é atualmente governado por um Conselho Nacional de Transição. Fonte: Forbes África Lusófona
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