“O que fazemos regularmente é partilhar com o Governo, com as autoridades de Angola, quais seriam as opções de financiamento caso queira requisitar formalmente um programa com o Fundo Monetário Internacional”, referiu Victor Lledo, que apresentou o Relatório sobre as Perspetivas Económicas Regionais da África Subsaariana, com foco na sua Recuperação Interrompida.
 
À margem da apresentação feita hoje, em Luanda, na Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto, Victor Ledo disse à Lusa que o FMI continua também a facultar ao Governo de Angola capacitação dos seus quadros.
Relativamente às perspetivas económicas, o perito referiu que África, e Angola, iniciaram em 2024 um processo de recuperação económica bastante encorajador, passando de 3,6% em 2023, para 4% em 2024, e Angola neste período acelerou o seu incremento parcimonioso de 1% para 4,5%.
Essa recuperação foi acompanhada de uma redução de desequilíbrios macroeconómicos, porquê a inflação, níveis da dívida pública e de reservas e maior firmeza cambial, realçou, resultando numa melhoria do entrada aos mercados internacionais, apoiados por “medidas de política económicas difíceis”, porquê flexibilização da taxa de câmbio e redução de subsídios.
“Infelizmente, essa recuperação incipiente, tanto em África porquê em Angola, corre o risco de ser interrompida levante ano, em função do cenário global atual de acentuação da guerra tarifária, na medida que gera incertezas, impactando negativamente as perspetivas de incremento global e os preços das matérias-primas, inclusive o petróleo”, referiu.
As projeções de incremento, para levante ano, do continente africano e, em pessoal, de Angola, tendo em conta esses efeitos, “devem acalmar para 3,8% e 2,4%”, respetivamente, cenário “agravado pelo declínio da ajuda externa”.
Victor Lledo destacou a urgência de mitigar esses choques externos, com maior mobilização das receitas domésticas, reformas para o aumento da eficiência e a transparência na gestão das finanças públicas, de forma a reduzir os custos de financiamentos externos, e reformas estruturais para apressar a diversificação económica e aumentar a integração mercantil da região.
Sobre o duelo da inflação em Angola, o representante do FMI sublinhou que a taxa continua subida, mas tem apresentado gradualmente uma tendência “fortemente declinante”, passando “de um pico de 30%, em julho de 2024” com os últimos dados a apontarem “um pouco supra de 22%”.
“Em grande medida por uma política monetária restritiva adotada pelo Banco Pátrio de Angola e a nossa posição é que essa política monetária é bem-vinda e deve ser continuada até que a inflação demonstre uma queda para perto de um dígito”, frisou.
Quanto à retirada da subvenção aos combustíveis, Victor Lledo frisou que os subsídios “são extremamente regressivos e tendem a beneficiar camadas de renda mais elevada da população”, consumindo “espaço fiscal necessário e fundamental” para despesas de proteção social e de infraestruturas.
A ministra das Finanças angolanas afirmou, em abril pretérito, que haverá ainda levante ano mais cortes nos subsídios aos transportes, que ocorre desde 2023 de forma gradual.
De tratado com o responsável, é importante que esta reforma prossiga, enfatizando que aumentos adicionais do preço dos combustíveis devem refletir na melhoria das condições das camadas mais vulneráveis.
“O que o Governo de Angola tem feito foi, a par e passo com o aumento do subvenção dos combustíveis, a expansão do Kwenda [programa de transferências monetárias para famílias vulneráveis]. É muito importante que esta situação siga, não só em zonas rurais, mas também em zonas urbanas, essa e outras modalidades de indemnização”, salientou.
Victor Lledo enfatizou a urgência também de uma boa informação dos seus objetivos, e reformas de gestão das finanças públicas, para aumentar a transparência fiscal dos recursos, “muito importante para dar crédito à população de uma forma universal, de que o quantia está a ser gasto no rumo correto”.
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