
A FliXBus estima em mais de 12 milhões de euros as perdas anuais provocadas pela falta de acesso ao Terminal Rodoviário de Sete Rios, em Lisboa, devido ao bloqueio por parte da Rede Expressos que continua quase meio ano depois de o regulador dos transportes ter dado razão à operadora alemã. A estimativa foi avançada, na manhã desta quinta-feira, por Pablo Pastega, diretor-geral da FlixBus em Portugal e vice-presidente para a Europa Ocidental, que aponta que este dano económico, que representa sensivelmente 15% do volume de negócios do ano passado (90,6 milhões de euros), será maior à medida que o tempo passa. “É surpreendente que passados seis meses (da decisão vinculativa) nenhuma autoridade tenha feito nada. E não entendemos porquê”, lamentou, admitindo avançar com outros passos, como uma queixa junto da União Europeia. “É uma situação única em Portugal. Se as autoridades portuguesas não executam a decisão teremos de ir a Bruxelas”. “Não nos passa pela cabeça que esta situação possa continuar indefinidamente assim. É insustentável”, complementou o diretor de operações, Tiago Cavaco Alves. Em maio, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) determinou que a Rede Expressos, que gere a infraestrutura, não pode negar o acesso aos operadores que o requeiram, na sequência de um recurso interposto pela FlixBus. “Após a análise dos argumentos, não foi provado o esgotamento da capacidade do terminal e foi confirmada a existência de capacidade disponível – também pelo Município de Lisboa – pelo que foi determinado que o gestor do terminal deve facultar o acesso ao terminal, dentro dos horários disponíveis, não podendo tal ser negado, a todos os operadores que o requeiram”, indicou a entidade liderada por Ana Paula Vitorino em comunicado. Esse não é, no entanto, o entendimento da Barraqueiro Transportes, a maior acionista da Rede Expressos. Em agosto, o presidente, Martinho Costa, afirmou, em entrevista ao Expresso, que o terminal de Sete Rios “está no limite da sua capacidade”, apontando que análise do regulador dos transportes foi feita nas “horas erradas”, argumentando que dar acesso às suas concorrentes – em particular à FlixBus, mas também à francesa BlaBlaCar – iria “pôr em risco a segurança das pessoas (passageiros e trabalhadores) e dos bens e a qualidade do serviço praticada”. “Não cabe mais nada dentro do terminal de Sete Rios”, declarou. Argumentos de “monopolistas”, classificou Pablo Pastega, lamentando que Portugal seja “único país do mundo provavelmente onde a FlixBus tem problemas deste tipo”, ou seja, dificuldades em entrar no mais importante terminal da capital. A multinacional alemã, apelidada de “Uber dos autocarros” – por não ter autocarros nem motoristas – chegou a Portugal em 2017, com duas linhas internacionais, partindo para a operação doméstica só depois da liberalização do mercado de expressos no final de 2019.
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