O Governo da Finlândia vai apoiar Moçambique no reforço das competências tecnológicas na área da meteorologia, através de um novo projecto de cooperação institucional que visa preparar o País para responder de forma mais eficaz aos fenómenos climáticos extremos que têm afectado ciclicamente o território nacional. Segundo informou a Lusa, o anúncio foi feito pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, durante o lançamento do FIMOZA, uma iniciativa de colaboração entre os dois países destinada a modernizar o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) e a dotá-lo de maior capacidade técnica e operacional. O objectivo é garantir que a informação meteorológica esteja à altura das exigências de prevenção e mitigação dos impactos causados ​​por eventos climáticos cada vez mais severos. “Tivemos vários ciclones nos últimos dez anos, talvez muito mais do que nos anteriores 30 ou 40 anos. Mas mais do que o número, é a severidade desses fenómenos meteorológicos que nos obriga a ter um Instituto de Meteorologia capaz de alertar toda a população moçambicana”, afirmou o governante, destacando a importância de um sistema robusto de alerta precoce. Muchanga salientou que, embora os desastres naturais não possam ser evitados, é possível proteger vidas e bens através do conhecimento e do acesso a ferramentas adequadas, o que exige uma acção coordenada entre o Governo, os parceiros internacionais e as organizações da sociedade civil. A nova parceria simboliza igualmente o relançamento da cooperação entre os institutos meteorológicos de Moçambique e da Finlândia, interrompida há mais de 25 anos. A iniciativa responde à necessidade urgente de fortalecer as capacidades nacionais para a gestão de riscos climáticos e para o aumento da resiliência face às alterações climáticas. Segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a presente época chuvosa já provocou a morte de 114 pessoas, havendo ainda seis desaparecidos, 99 feridos e cerca de 680 mil cidadãos afectados. Entre 1 de Outubro de 2025 e 19 de Janeiro deste ano, registaram-se danos em 11 367 habitações parcialmente destruídas e 4910 totalmente arrasadas, com impacto sobre 141 818 famílias. Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis ​​aos efeitos das alterações climáticas, enfrentando regularmente cheias, secas prolongadas e ciclones tropicais, sobretudo no período entre Outubro e Abril. Entre 2019 e 2023, estes eventos provocaram 1016 mortos e afectaram 4,9 milhões de pessoas, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística. Muchanga reiterou o empenho do Executivo em continuar a investir no Sistema Nacional de Aviso Prévio e em assegurar o cumprimento dos compromissos regionais e internacionais em matéria de desenvolvimento metodológico na área da meteorologia.advertisement

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