advertisemen tAngola foi o principal destinatário dos empréstimos chineses a África em 2024, ao absorver 1,45 mil milhões de dólares num ano em que o financiamento chinês ao continente caiu 50%, revelou um estudo consultado pela Lusa, nesta segunda-feira, 26 de Janeiro. Os dados, divulgados num estudo da unidade de investigação Boston University Global Development Policy Centre, revelam uma redução de quase 50% no financiamento chinês ao continente face a 2023 e confirmam a tendência de concentração em poucos países, com Angola a liderar. A queda global insere-se numa reorientação estratégica de Pequim, que está a afastar-se de grandes empréstimos concedidos a Governos e a privilegiar projectos de menor escala e sectores estratégicos. No caso angolano, os fundos em 2024 destinaram-se a uma linha de transmissão eléctrica e a um projecto de infra-estruturas perto de Luanda que abrange imobiliário, estradas e um porto (688 milhões de dólares). Desde 2000, Angola já recebeu mais de 49 mil milhões de dólares em empréstimos chineses, representando mais de um quarto do total do continente. A par da redução do volume, destaca-se a transição do dólar para o yuan nos financiamentos. No Quénia, por exemplo, todos os empréstimos para infra-estruturas em 2024 foram denominados em moeda chinesa, tendo a dívida pendente da linha ferroviária construída no país por empreiteiros chineses sido convertida para yuan, uma operação que deverá reduzir os custos anuais do serviço da dívida em cerca de 215 milhões de dólares. “O que estamos a ver não é uma retirada, mas uma calibração”, afirmou Mengdi Yue, investigadora do centro, sublinhando que a mudança reflecte “lições aprendidas sobre sustentabilidade da dívida e gestão de risco.” Além de Angola, apenas mais cinco países – Etiópia, Quénia, Zâmbia, Nigéria e Egipto – receberam financiamento chinês em 2024. No total, apenas seis projectos foram financiados em todo o continente, nenhum deles ultrapassando a marca dos mil milhões de dólares. O estudo alerta, no entanto, para a ausência de investimento em energia verde. “Estamos curiosos para ver se os empréstimos soberanos, juntamente com o comércio e o investimento directo, ainda apoiam a transição verde em África”, apontou Mengdi Yue. Os investigadores sugerem que o apoio futuro poderá passar do financiamento directo para áreas como estudos de pré-viabilidade, de modo a fomentar o ecossistema de energia limpa e atrair investimento privado. “À medida que a era dos projectos de mil milhões de dólares chega ao fim, os novos instrumentos financeiros da China podem definir uma fase mais selectiva do seu envolvimento com África”, previu o relatório.

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