A Federação Moçambicana de Hotelaria e Turismo (FEMOTUR) considera urgente a criação de uma Secretaria de Estado dedicada exclusivamente ao turismo, com o objectivo de conferir maior visibilidade e prioridade ao sector nas agendas de desenvolvimento nacional. A proposta foi apresentada pelo presidente da organização, Vasco Manhiça, durante o Fórum Africano de Diplomacia e Turismo, que decorre em Maputo. Segundo Manhiça, a constante reconfiguração institucional que afecta o turismo – ora integrado à cultura, ora à economia – tem fragilizado a consistência das políticas públicas. “O turismo não pode continuar a ser tratado como um apêndice. Queremos discutir os assuntos do turismo no concreto e ver o sector onde realmente merece estar”, afirmou, apelando à criação de uma estrutura própria e estável ao nível do Executivo. O líder da FEMOTUR apontou também sérias fragilidades no domínio da formação profissional, revelando que Moçambique ocupa actualmente o 125.º lugar entre 140 países no Índice de Competitividade Global do Turismo. “Estamos entre os cinco últimos do mundo em competitividade e entre os piores em qualidade e disponibilidade de recursos humanos qualificados”, alertou. Turismo deve ter estrutura própria no Governo para responder com eficácia aos desafios do sector. De acordo com Manhiça, o encerramento de cursos superiores na área do turismo deve-se, em grande parte, à incapacidade de absorção de mão-de-obra qualificada por parte do mercado. “Formam-se jovens que não conseguem emprego porque o sector prefere contratar mão-de-obra barata, o que compromete directamente a qualidade do serviço e a atractividade do destino Moçambique”, lamentou. O dirigente foi particularmente crítico quanto à hospitalidade oferecida nos pontos de entrada do País, sublinhando a necessidade de formação específica para os quadros do Estado que lidam com turistas. “Nos nossos aeroportos, os turistas não se sentem bem-vindos. Isso é uma mensagem clara que compromete a imagem do País”, afirmou. Manhiça defendeu uma visão profissionalizada do turismo, alertando contra a ideia de que qualquer pessoa pode desempenhar funções no sector. “Servir à mesa, por exemplo, exige técnica. Não podemos continuar a colocar quadros sem perfil adequado a gerir áreas especializadas”, disse, numa crítica directa à má colocação de profissionais no aparelho do Estado. Para a FEMOTUR, o turismo deve ser encarado como um sector estratégico, a seguir à agricultura, e não como uma actividade secundária. “Queremos ver o turismo no lugar que merece, com políticas claras, orçamento próprio e liderança comprometida com os desafios reais do sector”, concluiu. O Fórum Africano de Diplomacia e Turismo decorre de 20 a 22 de Agosto, sob o tema “Desbloquear o potencial do turismo em África, através da diplomacia e investimento”. O encontro reúne membros de governos africanos, representantes da União Africana, da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), de instituições internacionais, bem como entidades do sector público e privado ligadas ao turismo. Durante três dias, o evento visa promover um espaço de diálogo qualificado e a definição de estratégias que posicionem o turismo como motor de desenvolvimento económico sustentável e de integração regional no continente. Texto: Felisberto Ruco
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