
Em comunicado, a FECTRANS afirma que, apesar das conclusões iniciais do relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Ascensores e Afins (GPIAAF), “é fundamental uma avaliação profunda que responda às diversas questões que se colocam”. “O relatório do GPIAAF demonstra que o trabalhador que faleceu tudo fez com o que tinha ao seu alcance, mas que isso não evitou o desastre”, refere a FECTRANS, questionando a periodicidade e a qualidade das avaliações aos sistemas de segurança do equipamento, assim como eventuais alterações nos procedimentos de manutenção face ao aumento de passageiros transportados. O sindicato criticou ainda a externalização do serviço de manutenção, ocorrida “na sequência do desinvestimento no setor oficinal da Carris em 2006-2007, que levou à saída de mais de 300 trabalhadores, em particular os mais antigos, sem cuidar da passagem de conhecimento para as gerações mais novas”. “É público que, quando a manutenção era assegurada pela Carris, havia um número de trabalhadores afeto e em permanência muito superior ao que havia à data do acidente”, apontou. Nesse sentido, a FECTRANS considera que o acidente impõe a modernização do transporte em elevadores na cidade de Lisboa e “introduzir outros sistemas de recurso eficazes e seguros”. “Lisboa precisa dos elevadores, já que, para além da utilização pelos turistas, são importantes para a mobilidade, tendo em conta as características da cidade” , sublinhou. O elevador da Glória, em Lisboa, descarrilou na quarta-feira, causando 16 mortos e duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades. Entre os mortos, contam-se cinco portugueses, dois sul-coreanos, um suíço, três britânicos, dois canadianos, um ucraniano, um norte-americano e um francês. Na sequência do acidente, o Governo decretou um dia de luto nacional e a Câmara Municipal de Lisboa três dias de luto municipal. O elevador da Glória é gerido pela Carris, liga os Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto, num percurso de cerca de 265 metros e é muito procurado por turistas. Leia Também: Tragédia na Glória? Temos de deixar “de ser um Estado que improvisa”
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