A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) alertou nesta quinta-feira, 9 de Outubro, para as desigualdades persistentes em Moçambique no acesso a financiamentos no sector agrícola, sobretudo quando requisitado por mulheres e jovens. “Apesar dos progressos, persistem desigualdades no acesso a recursos, serviços e oportunidades. As mulheres e os jovens rurais continuam sub-representados nas cadeias de valor, nos processos produtivos e de divisão. A adaptação às mudanças climáticas e o fortalecimento à resiliência comunitária são princípios indispensáveis para a sustentabilidade do sector”, descreveu o representante da FAO em Moçambique, José Fernandez. Intervindo em Maputo, durante a primeira reunião do Comité de Coordenação do Sector Agrário (CCSA), o responsável exortou à aposta num sector agrário forte, inclusivo e resiliente, referindo ser essencial para a redução da pobreza e garantia de segurança alimentar e nutricional, com capacidade de gerar empregos e fortalecer a resiliência face às mudanças climáticas. José Fernandez apelou ainda ao incremento de investimentos do sector privado, sublinhando que os mesmos vão fomentar a inovação. “A classe empresarial, quando devidamente envolvida, pode acelerar a modernização da agricultura e das pescas, expandir o acesso ao mercado e contribuir para o desenvolvimento territorial equilibrado.” Recentemente, o Governo lançou oficialmente o Financiamento Inovativo para o Agro-negócio (FINOVA), uma linha de crédito concebida para transformar o sector agrário nacional. Avaliado em 3,4 mil milhões de meticais (47,8 milhões de dólares), o novo instrumento financeiro visa promover a produtividade rural, fortalecer pequenas e médias empresas agrícolas e dinamizar as cadeias de valor em todo o País. De acordo com um comunicado oficial a que o Diário Económico teve acesso, o anúncio foi feito pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante a cerimónia de lançamento realizada em Maputo, perante representantes do sector financeiro, da cooperação internacional, do agro-negócio e do Banco de Moçambique. O governante realçou que “não se trata apenas de uma linha de crédito, mas de uma nova visão para o futuro do agro-negócio moçambicano”, destacando o carácter transformador da iniciativa. O FINOVA resulta de uma parceria entre o Governo de Moçambique e a República Federal da Alemanha, através do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). Do montante total mobilizado, 2,5 mil milhões de meticais (33,5 milhões de dólares) serão canalizados através do Banco de Moçambique, em coordenação com cinco instituições financeiras: ABSA, Standard Bank, BCI, GAPI e Microbanco Confiança. Os restantes 900 milhões de meticais (12 milhões de dólares) ficarão a cargo da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze (ADVZ), sendo aplicados em garantias colaterais, seguros climáticos e assistência técnica no terreno.advertisement
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