Angola prolongou uma linha de crédito de mil milhões de dólares, com duração inicial de um ano, com o JPMorgan, por três anos, e garantiu um financiamento adicional de 500 milhões de dólares, informou o Ministério das Finanças, nesta terça-feira (13). Segundo a instituição, o novo contrato de três anos tem uma taxa de juro “em torno de 8%”, sendo que a taxa da linha de crédito original se situava um pouco abaixo dos 9%. Angola e o JPMorgan tinham acordado o contrato derivado inicial de um ano, conhecido como Total Return Swap, em 2024.advertisement Os preços dos títulos da dívida angolana prolongaram os ganhos anteriores após a notícia da extensão, com o título com maturidade em 2048 a negociar um centavo acima, a 86,97 cêntimos por dólar. “Notícias de uma operação de três anos e de 500 milhões de dólares adicionais de financiamento serão bem recebidas pelo mercado”, afirmou Samir Gadio, responsável pela estratégia africana no Standard Chartered, em Londres. O produtor de petróleo do sul de África e o banco de Wall Street acordaram o contrato inicial com o respaldo de 1,9 mil milhões de dólares em títulos do Governo angolano emitidos como colateral. Em Abril, o banco emitiu uma chamada de margem, obrigando Angola a disponibilizar 200 milhões de dólares adicionais em colateral, depois de o valor desses títulos ter caído além de um ponto de activação, quando tarifas comerciais abrangentes dos Estados Unidos da América (EUA) abalaram os mercados, expondo os riscos que estes acordos acarretam para emissores fronteiriços. Emissores de baixa classificação optam por acordos não convencionais Várias outras economias emergentes — incluindo Senegal, Gabão e Camarões — também optaram por acordos designados off-screen, como colocações privadas, na tentativa de optimizar a dívida e gerir os pagamentos. A relação dívida/Produto Interno Bruto (PIB) de Angola situava-se em 70% em 2024, e funcionários do Ministério das Finanças disseram que a percepção dos investidores sobre o risco do país não correspondia à sua capacidade de reembolso. Os responsáveis afirmaram ainda que o acordo com o JPMorgan funcionou bem, permitindo ao Governo evitar acrescentar dívida em eurobonds ao seu balanço quando os custos de financiamento estavam elevados. O Ministério das Finanças anunciou também, na terça-feira, planos para emitir novos títulos domésticos de sete e dez anos denominados em moeda local e estrangeira. Fonte: Reuters
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