
“Não é caso para alarme a pequena quebra que houve no segundo semestre, porque as exportações para a Europa cresceram e bem. Só que houve um problema de um decréscimo acentuado nas exportações para os Estados Unidos da América, sabemos bem porquê”, afirmou o ministro, referindo-se às taxas impostas por aquele país. O governante falava na Assembleia da República durante o debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2026, em resposta a vários pedidos de esclarecimento dos deputados. Castro Almeida lembrou que os EUA são o quinto importador de Portugal “e, portanto, uma quebra de 8,1% do lado da América tem um impacto importante na nossa economia”. “Mas, na generalidade do comércio internacional, processou-se em termos normais. Não há um problema estrutural com as nossas exportações”, acrescentou. Na sua intervenção inicial, perante os deputados, o ministro Castro Almeida já tinha referido que um dos objetivos do Governo é “que as exportações possam representar mais de 50% do PIB e aproximar-se dos 55%”. Durante a ronda de esclarecimentos, o ministro defendeu que esta proposta orçamental “baixa impostos e aumenta rendimentos”, recordando que “em 2024, Portugal teve o maior aumento de rendimentos do trabalho de toda a OCDE, e em 2025, “no primeiro semestre, os rendimentos do trabalho aumentaram em termos reais 3,4%”. “Um orçamento que baixa impostos, aumenta rendimentos, que tem contas equilibradas, que aumenta o investimento. Tomáramos nós ouvir falar de um orçamento assim durante muitos anos, viria uma prosperidade daqui a alguns anos se tivéssemos vários orçamentos iguais a este”, argumentou, depois de o deputado da IL Miguel Rangel ter criticado o orçamento, considerando que é “de continuidade porque não dá resposta às ambições necessárias dos desafios estruturais da economia portuguesa”. Após perguntas da bancada do PS sobre o tema, Castro Almeida afirmou ainda que “o programa de renovação de escolas é mesmo para cumprir”. Castro Almeida realçou que o Governo herdou “o compromisso” que “consiste em financiar a renovação de mais de 500 escolas”, divididas em três níveis de prioridade. “A primeira prioridade já está a concurso e brevemente serão lançadas as demais para que as obras possam ficar todas concluídas até 2030, como está previsto no contrato. Portanto, o contrato é mesmo para cumprir”, sublinhou. Nesta ronda de perguntas, o deputado do PS Armando Mourisco disse não entender a estratégia do Governo para a economia e alertou que o país “continua refém de fundos comunitários”, como o PRR ou o Portugal 2030, e do turismo. O socialista acusou ainda o executivo de não investir no interior do país, critica partilhada com o deputado do Chega Barreira Soares, que classificou o documento como “paupérrimo” nessa matéria. Esta crítica foi rejeitada pelo ministro Castro Almeida, que defendeu que “as boas medidas deste Governo são para todo o país, para o litoral e para o interior”, sendo que algumas são especialmente dirigidas ao interior como a atribuição dos fundos europeus. “Estamos agora a negociar com o Banco Europeu de Investimentos, além do financiamento para instalar áreas de acolhimento empresarial nos territórios do interior, vamos também apoiar as câmaras municipais que queiram fazer elas próprias loteamentos para habitação, para que as pessoas possam chegar e ter um lote pronto para construir a casa”, adiantou. O governante sustentou que esta medida “vai baixar o preço das casas e colocar mais terrenos no mercado para construir a habitação no interior”. Leia Também: Exportações caíram 0,1% e importações subiram 5,2% no 3.º trimestre
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