O Governo tem a pretensão de transformar a província de Niassa no gigante do turismo na região norte de Moçambique, aproveitando o seu potencial na conservação e biodiversidade. A intenção foi partilhada pela governadora local, Judite Massengele, nesta terça-feira (4), durante a Cimeira Internacional do Turismo, que decorre em Vilankulo, província de Inhambane, no sul do País.

Com 42 mil quilómetros quadrados de reservas e parques naturais, Niassa é o lar de espécies emblemáticas como elefantes, leões, leopardos, búfalos e hipopótamos — os chamados Big Five. “Temos uma das maiores áreas de conservação do País e queremos atrair investidores que apostem tanto na observação de fauna bravia como no turismo de contemplação”, explicou.

O projecto previsto, segundo a dirigente, consiste no turismo integrado, uma combinação entre safaris na Reserva do Niassa com mergulhos nas águas do lago Niassa. “São mais de 600 quilómetros de costa, ladeados por aldeias pesqueiras e praias serenas, que podem ser convertidos em pólos de ecoturismo.”

“Tendo um investidor que aposte no turismo de contemplação e outro na área costeira, podemos criar um pacote integrado. Os turistas que visitam o distrito de Mecula podem seguir de avião ou por estrada até ao lago. As duas áreas não devem ser isoladas, devem complementar-se”, defendeu.

Além do turismo de natureza, o Governo provincial quer investir em infra-estruturas de apoio, formação de guias, segurança nas rotas e inclusão das comunidades locais nas cadeias de valor do turismo. “Contamos com um mosaico cultural único, resultado da convivência de mais de 15 grupos etnolinguísticos. A província quer também valorizar o turismo cultural, promovendo festivais, gastronomia e tradições locais como parte da experiência do visitante.”

Em Abril, os ataques terroristas alastraram-se até esta província. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva de Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas, e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.

Contudo, apesar destes incidentes, Judite Massengele garantiu que a região já está pronta e segura para recomeçar. “A situação está normalizada, a população circula, as estâncias turísticas estão a funcionar e há confiança no regresso à normalidade.”

Fonte: O País

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