O Governo definiu a agricultura industrial e digital como eixo central da sua nova estratégia para aumentar os rendimentos agrícolas, promover uma produção sustentável, proteger o ambiente e integrar os pequenos produtores nas cadeias de valor, no quadro da modernização do sector e da adopção de novas tecnologias, informou a Agência de Informação de Moçambique.

De acordo com o órgão, a orientação foi reafirmada nesta quinta-feira (5), no Dubai, pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, à margem de uma sessão dedicada ao futuro da energia e das indústrias.

Segundo o governante, a opção por uma agricultura orientada para o mercado e liderada pelo sector privado não exclui os pequenos produtores, antes visa integrá-los num modelo económico mais eficiente e inclusivo. “Estamos a dizer que os pequenos agricultores e os pequenos produtores devem ser integrados para aumentar os seus rendimentos e contribuir para o crescimento global do País”, afirmou.

Roberto Albino rejeitou a ideia de que a industrialização da agricultura represente uma ameaça ao ambiente, defendendo que, quando bem planeada, pode ter um impacto positivo. “Actualmente, para aumentar a produção global, recorremos à expansão das áreas cultivadas, o que leva à desflorestação, porque os rendimentos por hectare são baixos. A industrialização permite produzir mais num espaço menor, com menor impacto ambiental”, explicou.

Como exemplo, destacou o projecto da barragem de Mapai, na província de Gaza, sublinhando que a infra-estrutura permitirá elevados níveis de produção agrícola concentrados numa área reduzida. “Com 200 mil hectares de terra irrigável, podemos alcançar a produção que hoje exige cerca de um milhão de hectares com baixos níveis de produtividade”, frisou, acrescentando que a barragem terá impacto, igualmente, no controlo de cheias, na produção de energia e na protecção ambiental da bacia do Limpopo.

Ministro da Agericultura, Roberto Albino, e o Governo de EAU estreitam relações na área económica

No domínio da inovação tecnológica, o ministro sublinhou o compromisso do Governo com soluções agrícolas modernas, incluindo práticas de conservação, uso racional de insumos e tecnologias que não dependem de produtos fósseis nocivos ao ambiente. “É possível industrializar a agricultura de forma ambientalmente amigável. Essa é a nossa abordagem”, assegurou.

Sobre a digitalização, Roberto Albino considerou que Moçambique não pode ficar à margem das tendências globais associadas às novas tecnologias e à inteligência artificial. “O mundo está a tornar-se digital, e Moçambique tem de ser digital”, afirmou, recordando a criação do Ministério das Comunicações e Transformação Digital como sinal claro dessa orientação governamental.

No sector agrícola, explicou que a digitalização é essencial para integrar os pequenos produtores nas cadeias de valor, facilitar o acesso ao crédito e aumentar a transparência dos processos. “Se tivermos plataformas digitais, podemos identificar quem é o produtor, onde está e o que produz. Isso torna os processos mais responsáveis e dá confiança aos financiadores”, referiu, acrescentando que os bancos passam a compreender melhor o sector agrícola.

O governante destacou ainda o uso crescente de drones e outras tecnologias nos processos produtivos, salientando os ganhos em eficiência, segurança e atractividade para os jovens. “Os jovens aprendem rapidamente a usar estas tecnologias. A agricultura tem de ser moderna, atractiva e geradora de rendimento”, defendeu.

Abordando os impactos das cheias recentes nas regiões Sul e Centro do País, Roberto Albino reiterou a necessidade de investir em infra-estruturas hídricas, voltando a apontar a barragem de Mapai como uma prioridade nacional. “Se a barragem de Mapai tivesse sido construída, não teria eliminado totalmente as cheias, mas teria reduzido significativamente o seu impacto”, afirmou.

O ministro explicou que o Governo está a trabalhar de forma coordenada entre os sectores da Agricultura, Obras Públicas e Energia, num projecto integrado que articula água, energia, segurança alimentar e segurança ambiental. “O Limpopo está descontrolado. As águas das chuvas locais e dos países do interior escoam directamente para as zonas baixas do Limpopo e de Chókwè. Por isso, a barragem de Mapai constitui uma prioridade nacional”, concluiu.

A sessão contou igualmente com a participação do director-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), Gerd Müller.a d v e r t i s e m e n t

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