A ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, admitiu nesta quinta-feira, 23 de Outubro, que há crianças envolvidas em actividades de mineração no País, sublinhando a responsabilidade colectiva na sensibilização contra esta prática. A reacção surge após denúncias feitas nas últimas semanas de casos de crianças que estão a deixar as escolas na província de Manica, centro do País, para se dedicar à prospecção artesanal de ouro, deixando os estabelecimentos de ensino quase vazios. Citada pela Lusa, a governante garantiu que o sector da educação, em parceria com o Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, está a efectuar um trabalho de sensibilização das comunidades, acrescentando tratar-se de trabalho infantil. “É uma questão de educação das comunidades. E esse não é um trabalho do Governo apenas, mas envolve líderes das localidades e dos distritos, para que todos salvaguardem os direitos da criança”, elucidou. Segundo dados do Governo, o número de crianças envolvidas no trabalho infantil, incluindo em trabalhos perigosos como no garimpo, duplicou em dez anos em Moçambique ao passar para 2,4 milhões até 2021. No ano passado, o Ministério Público anunciou que o Governo, com o auxílio das autoridades sul-africanas, conseguiu repatriar oito crianças que haviam sido traficadas para exploração laboral na África do Sul. Estas crianças foram resgatadas numa quinta localizada nos arredores de Joanesburgo e provinham da província de Gaza, no sul do País. O número total de crianças traficadas para a África do Sul é de 14, mas as autoridades acreditam que este número pode ser ainda maior, representando apenas uma parte do problema. A coordenadora do Grupo de Referência Nacional de Protecção à Criança, Combate ao Tráfico de Pessoas e Imigração Ilegal, Márcia Pinto, afirmou que os dados disponíveis são apenas indicativos e que a realidade pode ser ainda mais alarmante. “Temos informações a partilhar, mas é importante frisar que esses dados são meramente indicativos e não reflectem totalmente a realidade no terreno. Estamos a falar de um caso que já foi praticamente identificado como sendo de tráfico, enquanto outros casos ainda estão a ser investigados”, disse a magistrada.
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