advertisemen tO Ministério das Finanças do Botsuana informou, nesta terça-feira, 20 de Janeiro, que as reservas de diamantes do país estão quase a duplicar os níveis de inventário “considerados aceitáveis”, numa altura em que os preços continuam baixos, o que impede a nação de aumentar a produção de gemas no curto prazo para dinamizar a economia. De acordo com uma publicação da Reuters, a economia do Botsuana deverá sofrer uma contracção de quase 1% em 2025, após um declínio de 3% no ano anterior, em grande parte devido ao colapso do preço dos diamantes, pressionado pela concorrência das gemas cultivadas em laboratório e pela fraca procura global. A queda dos preços forçou a mineradora Debswana (empresa conjunta entre o Botsuana e a diamantífera De Beers, responsável por cerca de 90% das vendas de diamantes da nação africana) a suspender temporariamente a produção em algumas das suas minas no ano passado. O país produziu 18 milhões de quilates de diamantes em 2024, sendo o segundo maior produtor mundial, apenas atrás da Rússia, de acordo com o Sistema de Certificação do Processo de Kimberley, que visa impedir o comércio destas pedras para o financiamento de guerras civis ou actividades ilegais. No final de Dezembro de 2025, o país detinha um stock de 12 milhões de quilates, de acordo com o Documento de Estratégia Orçamental 2026/27 do Ministério das Finanças, quase o dobro do nível máximo de inventário permitido pelo Governo, fixado em 6,5 milhões de quilates. “Este facto sugere que, no curto prazo, a produção deverá manter-se, em termos gerais, inalterada, até que o nível das reservas seja reduzido para valores mais próximos do mínimo permitido, criando espaço para um aumento adicional da produção, refere o Ministério das Finanças no documento orçamental, acrescentando que “a margem limitada para aumentar a produção irá restringir o crescimento económico, a menos que o sector não mineiro apresente um desempenho robusto.” Os diamantes contribuem, normalmente, com cerca de um terço das receitas nacionais do Botsuana e com três quartos das receitas em moeda estrangeira. As exportações para os Estados Unidos da América (EUA), incluindo diamantes, enfrentam agora uma tarifa de 15%. Taxas mais elevadas impostas a grandes mercados consumidores destes cristais, como a Índia, poderão prolongar a baixa dos preços das gemas e comprimir as margens de lucro, de acordo com a instituição ministerial. “Esta situação pode ter repercussões nas operações de mineração. Uma desaceleração na actividade mineira reduziria as receitas fiscais do Governo provenientes do sector”, lê-se na nota. As receitas minerais do Botsuana deverão atingir 729,2 milhões de dólares no exercício financeiro 2025/26, reflectindo a redução das vendas de diamantes.
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