
O estudo, conduzido ao longo de um ano e meio em parceria com o serviço de investigação digital da agência France-Presse (AFP), permitiu à equipa de investigação comparar a viralidade das publicações verificadas com a trajetória de publicações semelhantes, mas não verificadas. A AFP, bem como outros órgãos de comunicação social em todo o mundo, recebe pagamentos de determinadas plataformas tecnológicas, incluindo a Meta, empresa-mãe do Facebook, para combater a desinformação (‘fake news’, em inglês). Após ser avaliada pelos jornalistas (‘fact checking’, em inglês), uma publicação errónea é rotulada como falsa ou parcialmente falsa. De acordo com os resultados do estudo, a viralidade da informação verificada e marcada como falsa diminui em média 8% na rede social. O consultor da UNESCO na área da educação mediática, Alexandre Sayad, admitiu, em entrevista à Lusa, que nenhum país está totalmente preparado para lidar com a desinformação. Lusa | 10:22 – 23/12/2025 “Temos um efeito positivo, estatisticamente significativo”, sublinhou à AFP a investigadora Julia Cagé, que participou no estudo. Segundo a economista, o efeito decorre tanto de uma alteração no comportamento do utilizador após a verificação dos factos como da própria funcionalidade da rede social. A Meta indicou, de facto, que “reduz” a visibilidade de informações falsas avaliadas pelos verificadores de factos. A investigadora sublinhou ainda que a média de 8% “mascara uma grande heterogeneidade” no impacto da verificação de factos, que varia consoante vários fatores. A viralização da desinformação diminui mais acentuadamente quando a verificação dos factos é realizada rapidamente. O sociólogo e coordenador do Iberifier em Portugal, Gustavo Cardoso, considera que as narrativas de desinformação nos dois países ibéricos têm vindo a convergir, embora com maior intensidade e caráter sistémico no caso espanhol. Lusa | 09:37 – 18/12/2025 O impacto da verificação de factos também varia de acordo com o tema. O estudo destaca um efeito mais forte quando a desinformação dizia respeito à guerra na Ucrânia e um efeito limitado em questões de saúde ou ambiente. O estudo mostra ainda que a verificação de factos altera o comportamento do utilizador. “Para o utilizador médio, partilhar informações falsas que serão sinalizadas como falsas reduzirá a sua utilização das redes sociais a curto prazo. Por outras palavras, partilhará menos informações no Facebook e, mais importante, partilhará menos desinformação”, explicou Julia Cagé. “A luta contra a desinformação continua a ser difícil, mas é encorajador ver que a verificação de factos faz uma diferença real, especialmente quando é rápida e claramente identificada como tal. Isto motiva-nos a continuar e a intensificar o nosso trabalho”, frisou Nina Lamparski, editora-chefe adjunta de investigações digitais da AFP. Leia Também: Desinformação em 2025 centrou-se na imigração. Visou sobretudo muçulmanos
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