Um novo estudo global do Upwork Research Institute, um centro de investigação que analisa as mudanças fundamentais no mundo do trabalho, revela uma disparidade entre as elevadas expectativas dos gestores em relação à Inteligência Artificial (IA) e a experiência real dos trabalhadores que a utilizam. O inquérito, que entrevistou 2500 executivos de “C-suite” (executivos seniores de topo de uma organização), colaboradores a tempo inteiro e “freelancers”, mostra que, enquanto 96% dos executivos acreditam que a IA deve aumentar a produtividade, 77% dos trabalhadores relatam que, na prática, a tecnologia aumentou a sua carga de trabalho e trouxe desafios para alcançar os resultados esperados. Quase metade (47%) dos colaboradores que utilizam a IA admite não saber como atingir as metas de produtividade definidas pelos empregadores, enquanto 40% consideram que as exigências estão além do razoável. Este desfasamento entre as expectativas e a realidade já se reflecte na retenção de talentos: um em cada três trabalhadores a tempo inteiro afirma que provavelmente deixará o emprego nos próximos seis meses, pressionado pela sobrecarga e pelo burnout. O estudo também aponta que 81% dos líderes globais de “C-suite” reconhecem ter aumentado as exigências sobre as suas equipas no último ano. Como consequência, 71% dos trabalhadores a tempo inteiro apresentam sinais de exaustão, e 65% relatam dificuldade em cumprir as metas de produtividade estabelecidas pelos empregadores. Os “freelancers” ajudam a aliviar a carga Os executivos que incorporam talentos “freelancers” nas suas equipas relatam que estes profissionais não apenas respondem às exigências, mas muitas vezes ultrapassam as metas de produtividade, superando inclusive os trabalhadores a tempo inteiro. O impacto é visível: o bem-estar e o envolvimento melhoraram, e os “freelancers” duplicaram os resultados para o negócio em várias frentes, incluindo agilidade organizacional (45%), qualidade do trabalho produzido (40%), inovação (39%), escalabilidade (39%), receitas e resultados finais (36%) e eficiência (34%). O inquérito, que entrevistou 2500 executivos de “C-suite” (executivos seniores de topo de uma organização), colaboradores a tempo inteiro e “freelancers”, mostra que, enquanto 96% dos executivos acreditam que a IA deve aumentar a produtividade, 77% dos trabalhadores relatam que, na prática, a tecnologia aumentou a sua carga de trabalho e trouxe desafios para alcançar os resultados esperados O estudo também revela que 80% dos líderes que já recorrem a talentos “freelancers” consideram este recurso essencial para o negócio, e 38% dos que ainda não o fazem planeiam integrá-los no próximo ano. Apesar do investimento crescente em IA, a investigação mostra que a maioria das organizações ainda não consegue extrair todo o valor de produtividade da tecnologia. “A nossa investigação indica que inserir novas tecnologias em modelos de trabalho ultrapassados falha em gerar o valor completo de produtividade esperado da IA”, afirma Kelly Monahan, directora e responsável pelo Upwork Research Institute. “Embora seja possível que a IA aumente a produtividade e, ao mesmo tempo, melhore o bem-estar dos trabalhadores, isso exigirá uma mudança profunda na forma como organizamos talentos e fluxos de trabalho.” “Para realmente aproveitar todo o potencial de produtividade da IA, os líderes precisam de criar um modelo de trabalho potenciado pela tecnologia”, acrescenta Monahan. “Isto envolve aproveitar talentos alternativos preparados para a IA, co-criar métricas de produtividade com as equipas e desenvolver uma compreensão e competência sólidas na implementação de uma abordagem baseada em competências para a contratação e desenvolvimento de talentos. Só assim os líderes poderão reduzir o risco de perder colaboradores estratégicos e avançar na sua agenda de inovação”, salientou. Fonte: Forbes Brasil
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