As emissões globais de gases com efeito de estufa decorrentes dos estilos de vida devem cair 85% até 2035 para serem compatíveis com um aumento da temperatura até 1,5 ºC, noticiou a Lusa nesta terça-feira, 7 de Outubro, citando um relatório. O documento analisa 25 países, incluindo Portugal, e conclui que a média das pegadas de carbono relacionadas com o estilo de vida é sete vezes superior à meta de 1,5 ºC. Os autores alertam que países mais ricos, como os Estados Unidos da América (EUA), Austrália e Canadá, têm pegadas até 17 vezes maiores, o que implica uma redução de emissões até 94%. As nações mais pobres estão mais próximas da meta dos 1,5 ºC do Acordo de Paris. Há dez anos em Paris, numa reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima, praticamente todos os países do mundo concordaram em tomar medidas para enfrentar o aquecimento global, diminuindo as emissões para que o aumento da temperatura global não ultrapassasse os 2 ºC em relação à época pré-industrial, e de preferência não chegasse a 1,5 ºC. Segundo o estudo, dos 25 países analisados, Portugal aparece em sétimo lugar, com uma pegada de estilo de vida de oito toneladas de dióxido de carbono por pessoa e por ano, um valor oito vezes acima da meta dos 1,5 ºC. Nos principais factores a contribuir para tão alta pegada estão o uso do carro e as viagens aéreas, e o consumo de carne, de vaca e porco, e de laticínios. Os EUA estão em primeiro, com uma emissão por pessoa/ano que ultrapassa as 18 toneladas e que representa 17 vezes acima da meta dos 1,5 ºC. A Austrália, o Canadá, a Coreia do Sul, a Itália e a Alemanha estão também na lista dos maiores emissores. Abaixo de Portugal estão países como Inglaterra, França ou Brasil, este com quatro toneladas de emissões por pessoa, quatro vezes acima do que deveria ser. Feito pelo “Hot or Cool Institute”, da Alemanha, que explora a intersecção entre sociedade e sustentabilidade, o documento destaca a necessidade de padrões de vida suficientes e de impostos progressivos globais sobre a riqueza, e limites de acumulação, para enfrentar as desigualdades climáticas impulsionadas pelo consumo excessivo. Com o título “Um Clima para a Suficiência: Estilos de Vida de 1,5 Graus”, o relatório destaca também a magnitude das mudanças sistémicas e comportamentais necessárias na próxima década e recomenda uma “abordagem de suficiência” – focada em atender às necessidades humanas sem excessos. O relatório analisa 25 países e conclui que a média das pegadas de carbono relacionadas com o estilo de vida é sete vezes superior à meta de 1,5 ºC “O orçamento de carbono restante é agora tão pequeno que Governos em todo o mundo enfrentarão uma escolha difícil: atender às necessidades sociais ou enfrentar os impactos das mudanças climáticas, a menos que medidas drásticas sejam tomadas com urgência”, afirmou, citado num comunicado sobre o relatório, Lewis Akenji, director-executivo do “Hot or Cool Institute” e autor principal do documento. Recordando a próxima cimeira da ONU sobre o clima, no próximo mês no Brasil (COP30), o responsável frisou que as negociações devem reflectir “a urgência de evitar a ultrapassagem da marca de 1,5 °C e as implicações significativas que esse limite teria para a vida quotidiana das pessoas”, alertando que os Governos se devem urgentemente comprometer a retornar ao limite de 1,5 °C, com planos “concretos, verificáveis, vinculativos e com reduções obrigatórias também para empresas.” E porque, avançou, “o planeta está prestes a ultrapassar um limite crítico de aquecimento, são necessárias medidas mais radicais do que as implementadas até agora para garantir um futuro justo, seguro e próspero para todos dentro do limite de 1,5 °C.” Os autores do relatório recomendam combinar mudanças nos estilos de vida, rápido desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono e reformas sistémicas. Sugerem, nomeadamente, implementar impostos progressivos globais e limites de riqueza para enfrentar o consumo excessivo e a desigualdade, além de promover estilos de vida baseados na suficiência. Recorda-se no documento que os 10% mais ricos da população mundial respondem por cerca de 50% dos gases de efeito estufa através de seus investimentos e consumo.

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