A Fortitude Capital, sociedade de capital de risco de António Esteves, e Reagro, empresa do setor agropecuário do universo da família de Alexandre Relvas, juntaram-se para comprar a Iberol e a Biovegetal. Em justificação figuram duas empresas que chegaram a integrar a “holding” SGC, de João Pereira Coutinho, que ficaram totalidade ou parcialmente sob competência do Fundo Recuperação (FCR), represado pelos cinco principais bancos portugueses e gerido pela ECS, que pertence ao fundo norte-americano Davidson Kempner.


As duas empresas, com uma faturação agregada na ordem dos 370 milhões de euros em 2023, encontram-se interligadas – tanto na propriedade porquê no perímetro em que operam – e ambas têm “quartel-general” em Alhandra, Vila Franca de Xira. A Biovegetal, que atua na produção de biocombustíveis, utilizando óleos de origem vegetal e de cozinha usados e outros resíduos, é detida a 100% pelo FCR, sendo 1% diretamente e o remanescente através da sociedade Notorious Energy (que detém integralmente). Já a Iberol, que produz e comercializa farinhas proteicas para alimento bicho e de óleos vegetais (ambos resultantes do “crushing” de sementes oleaginosas), é detida a 66% pelo FCR (50% através da sociedade Investar Oil e 16,66% pela Biovegetal), estando a fatia restante do capital – 32,33% – nas mãos da Oitante, veículo criado em 2015 que ficou com os ativos que o Santander Totta não quis comprar ao Banif.


À luz da , que ainda não se pronunciou, a operação consiste na obtenção pela Fortitude Capital e pela Reagro do “controlo conjunto sobre a Iberol e a Biovegetal”. No primeiro caso, havendo dois “donos”, não fica líquido que esteja em justificação 100% do capital, mas ao que o Negócios apurou também a Oitante vai desfazer-se da sua participação na empresa, sob a qual existiria “ordem de marcha” para vender há três anos.

Uma “pérola” por explorar


Em ambos os casos – segundo fontes conhecedoras – está em cima da mesa um perdão de dívida e um valor de compra inferior do potencial do negócio, atendendo à “pérola” que representa do ponto de vista logístico.


Basta pensar desde logo que a , com capacidade para movimentar oleaginosas, dotado de capacidade de armazenagem, conectado com uma unidade de extração de sementes, o qual receciona, por via fluvial, os produtos agroalimentares a partir do terminal da Trafaria, para a transformação na sua unidade extrativa, dispondo depois de condições para o escoamento, com acessibilidades rodoviárias (aproximação à EN10 com relação à A1) ferroviárias (ramal ferroviário com aproximação à traço do setentrião) e marítimas (cala das barcas).


Tal configura assim uma mais-valia estratégica para compradora Reagro, que faturou 1.198 milhões de euros em 2023, oferecido que se dedica ao transacção de cereais, sementes, leguminosas, oleaginosas e outros componentes para alimento bicho e para matérias-primas quer ao nível da importação porquê da exportação e já tinha, aliás, uma relação com a Iberol (foi assinado pelo menos um entendimento de “tolling” para a laboração de grão de soja em 2018).


Constituída em 1967, por um grupo de investidores portugueses, espanhóis e americanos, a Iberol tornou-se 100% portuguesa seis anos depois. Em 1985, conhece um “potente incremento da capacidade produtiva e logística”, com a obtenção de novos terrenos, anexos à unidade fabril já existente, para a construção de silos de armazenamento e a construção de um terminal fluvial para trouxa e descarga, tanto de matéria-prima porquê de farinha, segundo o “site” da empresa. Depois a crise no setor das oleaginosas (1993-1997), foi adquirida pelo Grupo Nutasa passando a integrar portanto um dos maiores grupos industriais nacionais do setor agroalimentar.


Em 2006, concluiu a fábrica de biodiesel, em Alhandra, descrita portanto porquê a primeira do género em Portugal e faz a primeira entrega à Petrogal/Galp, . Em 2007, há “trocas” de mãos: no início do ano, o Grupo SGC, de João Pereira Coutinho, adquire 50% do capital, mas em dezembro o Grupo Nutasa, do empresário João Rodrigues, readquire-os, alienando secção dos ativos da Iberol ao Grupo SGC, nomeadamente as instalações da Biovegetal. Em 2010, em seguida dois anos de “avultados investimentos nas instalações industriais em Alhandra”, 50% do capital passa para a competência da ECS Capital e .


, que iniciou atividade em 31 de julho de 2009, tinha porquê objetivo “o esteio à renovação de empresas com potencial parcimonioso, mas com estruturas financeiras desajustadas”. A ECS Capital ficou porquê entidade gestora do fundo que tinha a duração prevista de 15 anos e um capital inicial de 395 milhões de euros, participado em 15,2% pelo Estado, com a possibilidade de ser aumentado até 750 milhões.


Em 2021, na sequência da ingressão da Biovegetal há uma “reorganização”, com a convergência de todo o negócio de biocombustíveis nela para a Iberol passar a estar totalmente focada no nutrir. Pelo meio, em 2015, o Banif, atual Oitante, adquiriu portanto o remanescente capital ainda represado pelo Grupo Nutasa.


Já a Biovegetal, que foi “Nutróleo” – Farinhas e Óleos desde 1997 até à mudança de nome em 2002, foi comprada em 2005 pelo Grupo SGC, até que, em 2012, a ECS Capital através do FRC adquire a totalidade do capital da empresa.

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