O Estado angolano arrecadou até ao momento cerca de 59% do valor total contratualizado no âmbito do Programa de Privatizações (Propriv), correspondente a 696 milhões de euros. De acordo com a informação do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) consultada pela Lusa, o valor global contratualizado ascende a 1,17 mil milhões de euros, faltando entrar nos cofres do Estado cerca de 468 milhões de euros. A diferença entre o valor contratualizado e o montante já arrecadado resulta dos contratos de privatização que prevêem pagamentos faseados ao longo do tempo, pelo que o valor é registado no momento da adjudicação, mas o encaixe financeiro ocorre de forma progressiva. Além disso, o IGAPE identifica igualmente situações de incumprimento, que explicam a existência de valores por receber, e que totaliza actualmente cerca de 101 milhões de euros, sendo o grau de cumprimento contratual superior a 92%. Desde o início do programa, em 2019, foram privatizados 121 dos 170 activos inicialmente inscritos no Propriv, dos quais 115 processos se encontram concluídos, destacando-se entre os activos mais valiosos alienados até ao momento as participações e empresas do sector financeiro, em particular o Banco de Fomento Angola (BFA), unidades industriais e empreendimentos hoteleiros. Esta semana teve lugar a primeira reunião do Propriv em 2026, na qual o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, apontou os “avanços relevantes” registados em 2025 durante o processo de privatizações e referiu o contributo do programa para a dinâmica do emprego, tendo sido criados mais de cinco mil postos de trabalho. Segundo uma nota publicada no site do Ministério das Finanças, em 2026, o Executivo prevê dar continuidade às privatizações por via do mercado de capitais, com destaque para operações envolvendo participações no Standard Bank Angola e na Unitel. A alienação da participação do Estado no Standard Bank Angola está prevista para o primeiro semestre do ano.
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