advertisemen tA Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) realizou esta quinta-feira, 28 de Agosto, em Maputo, a 3.ª Conferência “Mulheres na Economia”, subordinada ao tema “Redes Femininas como Plataformas de Inclusão Económica e de Transformação Social”. A iniciativa assume-se como uma plataforma que reúne empresárias, empreendedoras, líderes comunitárias, académicas, parceiros institucionais e agentes de mudança para um debate de alto nível sobre os caminhos da inclusão económica das mulheres no País. O segundo painel da conferência, subordinado ao tema “Conectadas para Crescer – Redes e Finanças para a Realidade Local”, destacou que o fortalecimento das redes de cooperação e a criação de mecanismos financeiros inclusivos são factores decisivos para acelerar a participação das mulheres no desenvolvimento económico de Moçambique. A economista agrária e empresária Tatiana Mata sublinhou a importância das redes como motor de apoio mútuo. “As redes não são apenas para ganhar dinheiro. Elas servem também para criar confiança, transmitir inspiração e partilhar mentoria entre mulheres que, muitas vezes, enfrentam os mesmos obstáculos.” Para a especialista, o sucesso do empreendedorismo feminino passa pela criação de laços sólidos entre mulheres, que permitam reduzir custos e abrir portas para novos mercados. Por sua vez, a empresária e estilista Paula Cuna usou a metáfora de uma rede de pesca para ilustrar a força da cooperação: “Quando cada fio se junta, a rede torna-se mais forte. É assim que devemos encarar as nossas ligações: quanto mais unidas estivermos, mais fácil será alcançar novos mercados e resistir às dificuldades.” A empresária defendeu ainda que a inclusão deve ser prioridade, sublinhando que a informação “não pode ficar apenas nas cidades ou em círculos restritos, devendo chegar às comunidades e às mulheres que continuam afastadas destes espaços de debate e decisão.” “As redes não são apenas para ganhar dinheiro. Elas servem também para criar confiança, transmitir inspiração e partilhar mentoria entre mulheres que, muitas vezes, enfrentam os mesmos obstáculos” O acesso ao financiamento foi outro dos eixos centrais do debate. Para Ancha Omar, directora comercial do Banco Nacional de Investimentos (BNI), as dificuldades de acesso ao crédito continuam a travar o crescimento dos negócios liderados por mulheres. “Muitas mulheres têm negócios viáveis, mas não conseguem apresentar os requisitos que a banca exige. É aqui que fundos específicos e linhas de crédito adaptadas fazem a diferença”, afirmou. A empresária defendeu a integração das mulheres nas cadeias de valor já existentes como forma de ampliar o impacto do financiamento. “Se apoiarmos as grandes empresas que compram às pequenas produtoras, estamos automaticamente a dar sustentabilidade a milhares de mulheres que trabalham na base. É um efeito multiplicador.” Já Deyzes Pereira, da TechnoServe, que moderou o debate, reforçou que a articulação entre Governo, instituições financeiras, associações empresariais, sociedade civil e redes comunitárias é fundamental. “O sucesso do empreendedorismo feminino depende da soma dos esforços. Chegou o momento de Moçambique deixar de ver as mulheres apenas como beneficiárias e passar a vê-las como parceiras activas no crescimento económico.” Ao longo do painel, ficou patente que reforçar as redes de cooperação e criar mecanismos financeiros mais inclusivos é não só uma questão de justiça social, mas também uma estratégia de desenvolvimento nacional. “Quando investimos em mulheres, investimos em comunidades inteiras. É isso que vai permitir transformar o potencial em resultados tangíveis para o País”, concluiu Tatiana Mata. Texto: Nário Sixpenea dvertisement
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