A escassez de uma visão estratégica para a industrialização do País e a exclusão sistemática das Pequenas e Médias Empresas (PME) nacionais em processos de contratação de grandes projectos foram temas centrais do terceiro pintura da Conferência de Teor Lugar, que decorre esta quinta-feira, 29 de Maio, em Maputo.

Especialistas de diferentes áreas defenderam que, apesar do exposição político de esteio ao teor lugar, as práticas no terreno continuam a limitar o entrada das empresas nacionais a oportunidades significativas, sobretudo em sectores estratégicos uma vez que força, mineração e tecnologia.

“A maioria dos processos de procurement nas grandes empresas não são transparentes. Muitas vezes, são construídos de forma a excluir empresas moçambicanas”, denunciou Vicente Sitoe, director executivo da consultora SDO Moçambique, durante a sua mediação.

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Segundo Sitoe, essa exclusão começa já na formulação dos concursos: “Vemos exigências que não fazem sentido, ou processos que parecem públicos, mas cujos critérios reais não são divulgados. Há empresas que nem deveriam subordinar propostas, porque já se sabe quem vai lucrar”, afirmou, sem indicar nomes, mas apelando a reformas sérias no sector.

“Falar bonito não chega” — comunidades esperam resultados concretos

Vicente Sitoe criticou também o descompasso entre o exposição institucional e as expectativas dos jovens nacionais: “Aquele jovem que esteve na rua entre Outubro e Janeiro não está à espera que se aprove uma lei complexa de teor lugar daqui a três anos. Ele quer impacto agora”, disse, referindo-se ao envolvente de tensão social recente no País.

“Temos de parar de nos vangloriar com exemplos isolados de sucesso. Precisamos de ensinar as nossas comunidades a crescer com sustentabilidade e graduação. Isso exige políticas claras e vontade de mexer onde dói”, afirmou.

“A maioria dos processos de procurement nas grandes empresas não são transparentes. Muitas vezes, são construídos de forma a excluir empresas moçambicanas”

O gestor questionou ainda a limitação do noção de teor lugar ao sector do gás e petróleo: “Estamos a discutir teor lugar uma vez que se fosse só oil & gas. E no espaço airado? Na secretária? Há teor lugar ali? Não. Portanto, porque não estamos a falar disso?”

Na mesma traço, o economista Bruno Chicalia, com mais de duas décadas de experiência em grandes projectos uma vez que o da Vale, apontou a falta de planeamento a longo prazo uma vez que um entrave ao prolongamento das PME.

“Continuamos a produzir empresas para prestar serviços pontuais, mas não temos uma visão clara sobre onde queremos chegar em 20 ou 30 anos. Não se está a desenvolver capacidade industrial real em Moçambique”, disse.

Chicalia criticou também o padrão moderno de operação dos grandes projectos que, muitas vezes, “levam investimentos para regiões uma vez que Cabo Franzino, mas contratam empresas sediadas em Maputo, que não investem nem formam localmente.”

Porquê exemplo prático, recordou a experiência em Tete, onde uma exigência simples — o uso de cintos de segurança nos veículos — acabou por impulsionar mudanças estruturais: “Muitos viram aquilo uma vez que um travanca. Mas leste tipo de exigência é o que eleva os padrões e ajuda as PME a competir em mercados mais exigentes”, argumentou.

Transformação do dedo exige infra-estruturas e regulação

O profissional em Tecnologias de Informação na indústria de Oil & Gas, Almunir Abdulmalique, chamou atenção para a urgência de modernizar as PME moçambicanas, mormente no que diz reverência à literacia do dedo, ao uso de ferramentas de produtividade e à segurança da informação.

“Continuamos a produzir empresas para prestar serviços pontuais, mas não temos uma visão clara sobre onde queremos chegar em 20 ou 30 anos. Não se está a desenvolver capacidade industrial real em Moçambique”

“A primeira coisa é prometer entrada à internet. Sem isso, não há transformação do dedo. Precisamos de perguntar se em zonas uma vez que Topuito já temos conectividade adequada”, alertou.

Almunir defendeu a filiação de ferramentas uma vez que o Microsoft Office, o Google Workspace e sistemas ERP (Enterprise Resource Planning), muito uma vez que o uso de Lucidez Sintético para aumentar a produtividade. Apelou também à geração de uma legislação pátrio sobre certificação do dedo.

“Se partilhamos dados com parceiros, precisamos de prometer que essa informação é autêntica. Ferramentas uma vez que DocuSign ou Adobe Sign existem, mas temos de ter uma lei que as reconheça e regule”, explicou.

Outrossim, sugeriu que as PME comecem desde já a implementar os requisitos de certificações, uma vez que a ISO 27001, mesmo antes de serem formalmente certificadas. “Não podemos esperar que o mercado exija. Quem se antecipa ganha vantagem”, afirmou.

Vicente Sitoe reforçou que as empresas devem aproveitar o momento de baixa procura para se capacitarem, mormente em certificações ISO e outras formações técnicas relevantes: “Hoje ninguém está à procura de uma formação ISO. Mas no dia em que a TotalEnergies ou a ExxonMobil exigirem, vamos ter filas. E os preços vão subir. Agora é o momento de se prepararem”, aconselhou.

Texto: Nário Sixpene

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