A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) anunciou esta terça-feira que deu luz verdejante à REN – Redes Energéticas Nacionais para testar em contexto real, na rede de transporte, uma mistura de gás originário e hidrogénio, que chegará aos fogões e esquentadores dos consumidores no província de Braga. No entanto, o regulador garante que a empresa “acompanhará e informará os clientes que irão ser abastecidos pela mistura de hidrogénio e gás originário durante os períodos de injeção de hidrogénio”.
“Uma vez que os níveis previstos de concentração de hidrogénio estão de concórdia com os limites de operação dos equipamentos para a queima de gás originário, não se preveem constrangimentos para os clientes”, diz a ERSE.
O regulador do setor energético acaba assim de revalidar o projeto-piloto da REN Gasodutos denominado “Injeção de hidrogénio para testes na Rede Pátrio de Transporte de Gás”, no contextura do Regulamento da Qualidade de Serviço dos setores elétrico e do gás. Na prática, trata-se de um projeto de investigação e de prova, com duração de um ano e meio, enquadrado no Programa H2REN, um dos projetos apresentado no Capital Markets Day da empresa em 2024.
“Preparar a REN para a operação com hidrogénio e poder dar resposta às necessidades do mercado é o objetivo deste programa. Iniciado em 2020, o H2REN conta com mais de 10 entidades parceiras, nacionais e internacionais, que avaliam a adaptabilidade das infraestruturas quanto ao transporte, distribuição e armazenamento subterrâneo. Já estão a percurso atividades de preparação das infraestruturas para a implementação de gasesrenováveis. Desafios uma vez que o controlo da qualidade do gás distribuido aos clientes levaram à primeira temporada de instalação de contadores inteligentes”, explica, por seu lado, a REN.
Durante os próximos 18 meses a REN vai logo testar a injeção de hidrogénio num troço da Rede Pátrio de Transporte de Gás (RNTG) , que opera, para “ulterior veiculação na rede de distribuição da REN Portgás e, assim, abastecer um conjunto de clientes no província de Braga com uma mistura de hidrogénio e gás originário”, refere a empresa no mesmo expedido.
Segundo ERSE, objetivos deste projeto-piloto passam por estimar e testar: o desempenho das infraestruturas já preparadas para operar com misturas de até 10% de hidrogénio; os testarprocedimentos de pronunciação entre operadores de rede de transporte e de distribuição no contextura da injeção de gases renováveis; o novo sistema desenvolvido para controlo da qualidade do gás na rede de distribuição.
“A experiência e as recomendações que venham a resultar do projeto-piloto terão revérbero na implementação e consolidação dos processos de relação para injeção de hidrogénio nas redes, no regime mercantil, e permitirão estimar em envolvente controlado e em diferentes regimes de operação o desempenho de uma Estação de Mistura e Injeção (EMI), equipamento associado às instalações de produção de gases renováveis, uma vez que o hidrogénio”, explica o regulador, garantindo que A REN Gasodutos divulgará informação sobre a implementação e os resultados do projeto.
Em janeiro deste ano, a ministra do Envolvente e Força, Maria da Perdão Roble, assinou um despacho que autoriza um pedido “inopinado e independente” por secção da REN Gasodutos para investimentos no valor 36,1 milhões de euros por forma a “viabilizar a injeção de hidrogénio verdejante na rede pátrio de transporte de gás originário”. Antes disso, em outubro, de 2024, a REN anunciou que todas as suas infraestruturas já estão certificadas para o transporte, distribuição e armazenamento de misturas de gás originário e hidrogénio (entre 10 e 20%).
Levante valor será aplicado não só na rede, mas também no Terminal de GNL de Sines e nas infraestruturas de armazenamento subterrâneo no Carriço (perto da Figueira da Foz), onde deverão ser construídas duas novas cavernas (já preparadas para zelar hidrogénio), a somar às seis já existentes.
Depois de em 2023 a ERSE ter recomendado “peculiar ponderação” nos investimentos em projetos que permitem o “blending” entre gás originário e hidrogénio – avaliados nessa profundidade em 170,6 milhões de euros -, a REN atendeu ao pedido do regulador e em maio de 2025, na sua novidade proposta de projecto de investimento entre 2026 e 2035 (PDIRG 2025), reviu levante valor em baixa para 111,2 milhões (-35%).
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