A Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS) apelou ao “diálogo e bom senso” relativamente a questão relacionada com a suspensão em Março da fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, alertando que é importante manter a estabilidade laboral e salvaguardar os mais de cinco mil postos de trabalho que estão em causa. “Apelamos que se paute pela responsabilidade e que se tragam soluções construtivas que promovam a estabilidade laboral, a continuidade das actividades económicas e a confiança entre as partes envolvidas, em benefício do interesse nacional”, exortou a entidade por meio de um comunicado citado pela Lusa. Na carta, a organização adverte que o processo de suspensão das actividades da Mozal e empresas subsidiárias ameaça cerca de 1100 empregos directos e mais de quatro mil indirectos, afectando severamente o tecido social e a economia nacional. “Para o efeito, a OTM-CS, afirma o posicionamento de que o direito a um emprego seguro é constitucional e deve ser legal e justo, daí que encoraja que haja um desfecho que se baseie no diálogo, na boa-fé, na legalidade e na justiça social, tomando em conta que nenhum trabalhador deve ser prejudicado ou penalizado”, acrescenta. Nesta mesma posição, a instituição “roga que na resolução deste conflito devem ser salvaguardados de forma clara e efectiva os direitos laborais, a manutenção dos postos de trabalho e a estabilidade económica das empresas subsidiárias que empregam milhares de cidadãos moçambicanos”, acrescentando que tanto o Governo, como a Mozal, devem envolver os sindicatos no processo de negociações. No ano passado, o Governo assegurou estar a acompanhar de perto a situação da Mozal, após o anúncio da suspensão das actividades, devido à inexistência de um novo acordo de fornecimento de energia eléctrica. Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, existe uma equipa técnica a trabalhar com a empresa e com as entidades envolvidas para evitar impactos negativos sobre os trabalhadores, fornecedores e demais partes interessadas. “Há uma equipa que está a fazer o seu trabalho com a Mozal, com as entidades envolvidas, para garantir que o futuro da empresa não seja prejudicial a nenhuma das partes”, afirmou Inocêncio Impissa. As declarações surgiram na sequência de um comunicado divulgado pela South32, empresa australiana que detém a Mozal, no qual é anunciada a colocação da fundição de alumínio em regime de “care and maintenance” a partir de 15 de Março de 2026, caso não seja assegurado um novo contrato de fornecimento de energia. “Não foi garantido um novo acordo de fornecimento de energia eléctrica e, por isso, a Mozal será colocada em ‘care and maintenance’ por volta de 15 de Março de 2026”, referiu a empresa no documento enviado à comunicação social, acrescentando que “as matérias-primas necessárias para sustentar as operações para além de Março de 2026 não foram adquiridas.” De acordo com a South32, continuam em curso negociações com o Governo, com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e com a sul-africana Eskom, com vista a garantir um fornecimento de energia suficiente e a preços competitivos após o término do actual contrato. Sem adiantar detalhes sobre o estágio das negociações, Inocêncio Impissa esclareceu que qualquer decisão será tornada pública no momento oportuno. “Quando o resultado estiver efectivamente concluído, será anunciado através do Conselho de Ministros ou pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que está a acompanhar as questões substantivas com a Mozal”, explicou.

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