advertisemen tOs empréstimos chineses a África caíram quase pela metade, para 2,1 mil milhões de dólares em 2024, a primeira queda anual desde a pandemia da covid-19, à medida que o país muda para projectos selectivos e estratégicos, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (21) pela Universidade de Boston. Os empréstimos, que representam menos de um décimo do pico recorde de 28,8 mil milhões de dólares em 2016, reflectem o afastamento da China de grandes projectos de infra-estrutura, como ferrovias e estradas, em direcção a projectos menores e comercialmente viáveis, de acordo com o Centro de Política de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston. “À medida que a era dos projectos de mil milhões de dólares chega ao fim, os instrumentos financeiros em evolução da China podem definir uma nova fase de envolvimento, mais selectiva”, afirma o relatório, observando que os empréstimos chineses excederam consistentemente 10 mil milhões de dólares anualmente entre 2012 e 2018. Valor dos compromissos de empréstimos chineses concedidos à África no período entre 2000 e 2024 em dólares Em 2016, atingiu-se um recorde de quase 30 mil milhões de dólares, em parte devido a um refinanciamento de 10 mil milhões de dólares em Angola Pequim viu-se a sofrer perdas em alguns empréstimos depois da pressão económica da pandemia ter levado a Zâmbia, o Gana e a Etiópia ao incumprimento. A base de dados Chinese Loans to Africa Database da universidade, que acompanha os empréstimos ao continente desde 2000, constatou que a China se tem afastado cada vez mais dos megaprojectos denominados em dólares, característicos do início da Iniciativa Belt and Road, e se tem orientado para financiamentos específicos e de menor escala, denominados em yuan. “A China recorre cada vez mais a empréstimos denominados em RMB, empréstimos a pequenas e médias empresas (PME) através de bancos nacionais em países africanos e investimento directo estrangeiro (IDE)”, afirma o relatório, apontando para uma mudança para o IDE em vez dos tradicionais empréstimos para o desenvolvimento. Em 2024, o ano mais recente para o qual existem dados disponíveis, todos os empréstimos chineses para infra-estruturas no Quénia foram denominados em yuan, revelou a investigação. O gráfico mostra o compromisso de empréstimos da China com cada país. A maior parte dos foi destinada a Angola, Etiópia, Quênia, Zâmbia, Nigéria e Egipto O Quénia também converteu 3,5 mil milhões de dólares em empréstimos de Pequim para yuan em Outubro. A Etiópia também está a considerar a mudança, enquanto o Banco de Desenvolvimento da China e o Banco de Desenvolvimento da África Austral assinaram um acordo no ano passado para a primeira cooperação financeira denominada em yuan. O financiamento para projectos que excedem mil milhões de dólares também diminuiu significativamente em favor de fundos canalizados através de bancos regionais africanos e direccionados para projectos considerados comercialmente viáveis. Em 2024, a China financiou apenas seis projectos em todo o continente — dois em Angola e um no Quénia, no Egipto, na República Democrática do Congo e no Senegal. Angola, que garantiu 1,45 mil milhões de dólares para melhorias na rede eléctrica e rodoviária, emergiu como o principal beneficiário, reflectindo o foco de Pequim em parcerias de longa data e projectos estratégicos. “Em conjunto, os dados apontam para um padrão caracterizado por empréstimos directos mais conservadores, juntamente com ferramentas financeiras baseadas no mercado que reduzem custos, mitigam o risco da dívida e apoiam objectivos de crescimento sustentável”, concluiu o Centro de Política de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston. Fonte: Reuters

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