O planeta dá sinais de alerta cada vez mais evidentes que os negócios não podem ignorar. A transição para modelos económicos sustentáveis tornou-se num imperativo estratégico. As empresas que pretendem manter-se relevantes já perceberam que precisam de alinhar-se com práticas ambientais e sociais responsáveis. A agenda dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os critérios ESG, hoje centrais para investidores e grandes corporações, aceleram esta mudança. No contexto internacional, os chamados “green businesses” (negócios verdes) demonstram que crescimento económico e sustentabilidade ambiental não são conceitos incompatíveis, mas complementares. Energia renovável, agricultura biológica, reciclagem, ecoturismo e construção sustentável são alguns dos sectores onde esta transformação se afirma com mais clareza. O que significa, afinal, “negócio verde”? Um negócio verde é mais do que “amigo do ambiente”. É um modelo que procura equilibrar três dimensões: viabilidade económica, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental. Tal significa eficiência no uso de recursos, redução de emissões e resíduos, promoção de condições de trabalho justas, inclusão e rentabilidade de longo prazo. Importa sublinhar que não são apenas as novas empresas que podem crescer verdes. Muitos negócios já existentes podem reorientar os seus modelos, adoptar práticas mais sustentáveis e, com isso, ganhar competitividade em mercados onde a certificação ambiental e as exigências ESG são cada vez mais determinantes. O retrato em Moçambique: potencial e lacunas Em Moçambique, a pressão internacional e o interesse dos financiadores — incluindo Development Finance Institutions (DFI, instituições de financiamento do desenvolvimento) — têm impulsionado a criação de linhas de financiamento específicas para negócios verdes. No entanto, falta ainda um pipeline robusto de projectos com escala e maturidade suficientes para atrair capital. O empreendedorismo verde já mostra sinais encorajadores. Cabe agora a todos — empreendedores, investidores, Governo e sociedade civil — acelerar esta transição Grande parte das PME nacionais permanece pouco sensibilizada para a sustentabilidade como vantagem competitiva. Este desfasamento faz com que oportunidades de investimento sejam desperdiçadas, ao mesmo tempo que fornecedores e parceiros de grandes empresas certificadas ESG se vejam obrigados a adaptar-se para não perder contratos. Estes obstáculos revelam que a transição para uma economia verde em Moçambique não se fará apenas pela vontade individual dos empreendedores, mas exige políticas claras, mecanismos de financiamento inovadores e maior coordenação entre actores públicos e privados. Estes indicadores mostram que, quando apoiados, os empreendedores conseguem transformar ideias em negócios viáveis e com impacto positivo. O papel da IdeiaLab na construção do futuro verde Desde 2017, a IdeiaLab tem desempenhado um papel de destaque neste movimento. Com programas como o ClimateLaunchpad e a plataforma Mozgreen.com, a organização tem inspirado, formado e acelerado negócios de impacto. Iniciativas como o FemTech para a Sustentabilidade e o ESEA (focado em adaptação climática, energia renovável, economia azul e segurança alimentar) demonstram a aposta em áreas críticas para o futuro de Moçambique. Ao proporcionar visibilidade, capacitação e promover o acesso ao financiamento, a IdeiaLab tem sido catalisadora de histórias de sucesso que mostram que é possível conciliar lucro, impacto social e responsabilidade ambiental. O empreendedorismo verde em Moçambique está ainda em fase inicial, mas já mostra sinais encorajadores. Os desafios são reais, mas as oportunidades de crescimento e inovação são ainda maiores. Cabe agora a todos — empreendedores, investidores, Governo e sociedade civil — acelerar esta transição. Num mundo onde a sustentabilidade se tornou critério de competitividade, Moçambique não pode perder a oportunidade de colocar os negócios verdes no centro da sua estratégia de desenvolvimento.advertisement
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