advertisemen tUma das vozes mais influentes da teoria económica moderna destacou-se pela defesa da inovação como motor de desenvolvimento. Em Moçambique, os desafios estruturais reflectem, em grande medida, os dilemas que Schumpeter antecipou. Joseph lois Schumpeter (1883-1950) destacou-se como um dos grandes pensadores da economia ao propor que o motor de desenvolvimento não era apenas a acumulação de capital ou a estabilidade macroeconómica, mas sim a inovação. Para o economista, o progresso económico resulta da capacidade dos empreendedores de introduzirem novos produtos, processos e métodos de organização que, inevitavelmente, substituem estruturas existentes. Este processo, que designou por “destruição criativa”, redefiniria continuamente o funcionamento das economias. Ao contrário da visão clássica, que colocava o equilíbrio dos indicadores económicos (por exemplo, entre a procura, oferta e preços) como objectivo final, Schumpeter via a instabilidade como força geradora de dinamismo. O capitalismo, segundo a sua leitura, vive de ciclos de ruptura e recomposição, em que a ciência e a tecnologia desempenham papéis centrais.advertisement Joseph Schumpeter defendia, igualmente, que não bastava melhorar o que já existia: era preciso quebrar paradigmas. Para ele, a ciência e a inovação deveriam ser entendidas como instrumentos de progresso técnico e motores capazes de remodelar sociedades inteiras. Na sua perspectiva, cada grande avanço científico (da máquina a vapor à electricidade, e da informática à biotecnologia) desencadeava uma onda de mudanças económicas e sociais, e estas não se limitavam à produção de novos bens, mas incluíam também novos mercados, novas formas de organização do trabalho e novos estilos de vida. Críticas às teorias de Schumpeter Muitos consideram Schumpeter um visionário, mas sem escapar a críticas. Uma das mais recorrentes é a de que a sua ênfase no empreendedor como agente central do progresso subestima a importância das estruturas colectivas e institucionais. Muitos economistas defendem que inovação e desenvolvimento dependem, sobretudo, de políticas públicas robustas, de investimento em educação e de sistemas de regulação adequados. Joseph Schumpeter defendia que não basta melhorar: é preciso quebrar paradigmas. A ciência e a inovação deveriam ser entendidas como instrumentos de progresso Outros críticos apontam que a “destruição criativa”, embora eficaz em explicar o dinamismo do capitalismo, tende a ignorar os impactos sociais negativos, como o desemprego em massa provocado por novas tecnologias, ou o aumento da desigualdade. De facto, a inovação pode ser motor de riqueza, mas também pode excluir comunidades inteiras se não for acompanhada de políticas de inclusão. No caso de Moçambique, esta crítica é particularmente pertinente: a digitalização, por exemplo, pode acelerar a exclusão de populações sem acesso à Internet ou à educação básica. O desafio está em criar regras que façam da inovação uma alavanca de inclusão, e não um factor de segmentação social. Moçambique entre fragilidades e oportunidades A realidade moçambicana revela uma dupla condição. Por um lado, há uma carência estrutural: o investimento em investigação científica é reduzido, as universidades ainda enfrentam obstáculos em criar pontes eficazes com o sector produtivo e as políticas públicas raramente priorizam a inovação como eixo de desenvolvimento. Esta debilidade faz com que o País continue vulnerável a choques externos e dependente de importação de conhecimento e tecnologia. Por outro lado, existem potencialidades evidentes. A crescente digitalização, acelerada pela penetração da Internet móvel, abre espaço para startups e iniciativas empreendedoras. A juventude, que representa a maioria da população, demonstra apetência para integrar novas tecnologias, desde o uso de plataformas digitais para negócios ao aproveitamento de soluções inovadoras em agricultura e comércio. Além disso, a posição estratégica de Moçambique em África e os investimentos em energia (particularmente o gás natural, mas também a energia solar e hidroeléctrica) podem ser catalisadores de transformação se associados à inovação local. Aqui, a visão de Schumpeter serve de guia: é necessário criar um ambiente em que empreendedores possam actuar como motores da “destruição criativa”, substituindo práticas obsoletas por modelos mais eficientes e inclusivos. Lições de Joseph Schumpeterpara Moçambique O pensamento de Schumpeter sugere que Moçambique deve repensar a sua estratégia de desenvolvimento. Apostar apenas na exploração de gás ou carvão é uma visão de curto prazo. Defende que a verdadeira transformação virá quando a ciência, a tecnologia e o empreendedorismo se tornarem parte integrante da economia nacional, o que passa por: Reforçar a investigação científica nas universidades e institutos técnicos; Incentivar startups e incubadoras de negócios que tragam soluções locais para problemas locais; Criar políticas públicas consistentes que liguem inovação, indústria e desenvolvimento social; Fomentar parcerias internacionais para a transferência de conhecimento e tecnologia. Se Moçambique conseguir mobilizar estes eixos, poderá transformar as suas fragilidades em forças, aproximando-se da visão de progresso disruptivo defendida por Joseph Schumpeter. Texto: Celso Chambisso • Fotografia: D.Ra dvertisement

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