A Electricidade de Moçambique (EDM) está a gerir uma carteira de projectos superior a 44,8 mil milhões de meticais (700 milhões de dólares), destinados ao transporte e distribuição de energia eléctrica, num esforço que visa responder à crescente procura interna, assegurar a industrialização e reforçar a posição do País como exportador regional de energia, informou esta quinta-feira, 28 de Agosto, a Agência de Informação de Moçambique. Segundo o director de transporte da EDM, Luís Amado, ouvido pela AIM, a empresa aplica anualmente cerca de 3,2 mil milhões de meticais (50 milhões de dólares) apenas para manter os actuais clientes ligados e garantir a estabilidade da rede nacional. “Só para manter os clientes que temos e assegurar algumas expansões, gastamos todos os anos cerca de 50 milhões de dólares”, explicou. O responsável sublinhou que, com o apoio do Governo e de parceiros internacionais, estão em execução projectos avaliados em mais de 44,8 mil milhões de meticais (700 milhões de dólares), destinados a reforçar a rede de transporte e distribuição, bem como a promover interligações regionais. Um dos empreendimentos emblemáticos é a linha de interconexão com o Maláui, actualmente em construção, cuja conclusão está prevista para o final deste ano. No domínio da geração, a EDM aposta em centrais estruturantes para diversificar e aumentar a oferta. A Central de Temane, na província de Inhambane, com capacidade de 450 megawatts (MW), encontra-se na fase final de construção. “A Central de Temane conheceu algum atraso devido ao ciclone Idai, mas já retomou. A linha de transmissão associada está concluída e a central deverá começar a injectar energia brevemente”, afirmou o responsável. Outro projecto estratégico é a hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, que deverá acrescentar 1500 MW à matriz energética nacional. Para a EDM, este investimento é essencial para responder à crescente procura interna, sobretudo da indústria, e garantir energia suficiente para exportação. “Temos de lutar para que projectos como o de Mphanda Nkuwa sejam uma realidade nos próximos cinco a seis anos. Caso contrário, o País poderá enfrentar um défice energético”, alertou Luís Amado. A empresa aplica anualmente cerca de 3,2 mil milhões de meticais (50 milhões de dólares) apenas para manter os actuais clientes ligados e garantir a estabilidade da rede nacional O director reconheceu, no entanto, que a EDM continua a enfrentar dificuldades em acompanhar o ritmo da instalação de novas indústrias, muitas vezes implementadas antes da expansão da rede eléctrica. “É a indústria que se instala primeiro e só depois levamos energia. Isto tem de mudar. Precisamos de garantir que, quando as empresas chegarem, já tenham electricidade disponível”, sublinhou. Outro desafio apontado pela empresa é garantir energia a preços competitivos. “A nossa luta com os produtores privados é assegurar preços sustentáveis. Só assim conseguiremos ter energia que os clientes possam pagar e que apoie o crescimento da indústria”, destacou. Actualmente, a EDM opera nove centrais eléctricas em funcionamento, enquanto outras estão em fase de estruturação e busca de financiamento. A empresa considera que a expansão da geração terá de acompanhar o ritmo da industrialização e da electrificação rural, que cresce a um ritmo acelerado. “Já não é como há dez anos. Hoje, precisamos que novas centrais entrem em funcionamento com maior rapidez, para responder ao ritmo do desenvolvimento do País”, concluiu Luís Amado.

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