advertisemen tO economista sueco Jacob Öljemark defendeu nesta quarta-feira (18), em Maputo, que a estabilidade econômica e a sustentabilidade do Estado social dependem da consolidação de um contrato social robusto, baseado na cooperação entre trabalhadores, empregadores e Estado, disciplina fiscal e criação consistente de riqueza. A intervenção ocorreu na Conferência Nórdico-Moçambicana, em Maputo, onde o especialista apresentou a experiência histórica da Suécia como possível referência para países que buscam equilibrar crescimento econômico, inclusão social e responsabilidade fiscal. Öljemark começou lembrando que, em 1870, a Suécia figurava entre os países mais pobres da Europa, tendo recebido ajuda internacional e assistido à emigração de centenas de milhares de cidadãos em busca de melhores condições de vida. “Cem anos depois, a renda per capita havia aumentado dez vezes e a Suécia se tornou uma das economias mais prósperas do mundo”, disse. Segundo explicou, essa transformação não resultou de uma única reforma, mas de um conjunto de mudanças institucionais graduais que criaram condições para emprego, investimento e inovação. Entre os fatores determinantes, destacou a expansão do sistema educacional, a liberalização progressiva da atividade econômica, investimentos em infraestrutura e abertura ao comércio internacional. O economista ressaltou que a Suécia soube aproveitar suas vantagens comparativas nos setores florestal e de mineração, ao mesmo tempo em que fomentou o desenvolvimento de empresas de tecnologia e industriais que permanecem ativas até hoje. Contudo, advertiu que o crescimento rápido, sem mecanismos de regulação adequados, gerou conflitos laborais intensos nas décadas de 1920 e 1930. A resposta, explicou, foi a celebração de um acordo estruturante em 1938 entre sindicatos e empregadores, estabelecendo um modelo de negociação coletiva coordenada que ficou conhecido como o “espírito de Saltsjöbaden”. “Esse contrato social criou estabilidade, reduziu conflitos e lançou as bases para a competitividade e a coesão social”, afirmou, acrescentando que o papel de um Estado ativo, com políticas de emprego orientadas para níveis elevados de ocupação, foi decisivo para financiar a expansão gradual do Estado de bem-estar. Öljemark também destacou a importância da participação feminina no mercado de trabalho, ressaltando que o aumento da taxa de emprego das mulheres contribuiu para ampliar a base tributária e sustentar os serviços públicos universais. Para o economista, uma das principais lições é que redistribuir riqueza não basta: é fundamental criar riqueza de forma consistente O especialista lembrou, no entanto, que o modelo sueco enfrentou sérias dificuldades nas décadas de 1970 e 1990, culminando em uma crise financeira profunda que levou a reformas estruturais. Entre as medidas adotadas, ele mencionou a independência do banco central, a introdução de regras fiscais mais rigorosas, reformas no sistema de pensões e simplificação do sistema tributário. “A crise não desmantelou o Estado de bem-estar. Pelo contrário, levou a reformas institucionais que fortaleceram a sustentabilidade fiscal, preservando o universalismo”, disse. Para o economista, uma das principais lições é que redistribuir riqueza não basta: é fundamental criar riqueza de forma consistente. “Devemos pensar não apenas na redistribuição, mas também na criação de prosperidade para que haja algo para compartilhar”, ressaltou. Entre as prioridades estratégicas apontadas, destacou o investimento em educação como área que combina consumo e investimento público de longo prazo, com impacto direto na produtividade. Ele também mencionou que a formalização gradual do setor informal pode ampliar a base tributária e reforçar a capacidade do Estado de financiar serviços essenciais. Jacob Öljemark é economista da Confederação da Indústria Sueca, com foco em análise macroeconômica e financeira, energia e tributação. Possui mestrado em Economia pela Universidade de Lund e atua no desenvolvimento de ferramentas e bancos de dados para análise econômica, além de divulgar temas econômicos para o público. A Conferência Nórdico-Moçambicana se estabeleceu como um espaço de alto significado político, acadêmico e diplomático, ao reunir membros do Governo, representantes das embaixadas dos Países Nórdicos, pesquisadores, magistrados, acadêmicos e especialistas em governança, políticas públicas e desenvolvimento social. Organizado em torno de dois painéis centrais dedicados à equidade, solidariedade, confiança e renovação do contrato social, o encontro promoveu um diálogo sobre os desafios da inclusão, sustentabilidade e coesão social em contextos distintos, mas interligados. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement

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