
O euro teve em julho o primeiro mês negativo de 2025. A moeda única europeia registou nascente ano sucessivos ganhos face ao dólar, mas a maré verdejante foi interrompida no mês pretérito. Para Joana Vieira, esta não será uma tendência de longo prazo. A partner da Ebury acredita que o euro vai voltar à mó de cima no final deste ano ou no início do próximo. “No pequeno prazo faz sentido que o dólar continue a valorizar. Porquê? Porque no início do ano esta venda do dólar foi muito agressiva. Em 50 anos que não víamos, num período de seis meses, uma venda tão agressiva do dólar. Foi exagerado e agora faz sentido que o dólar recupere – já está a restaurar – e continue a restaurar”, começa por explicar, em entrevista ao programa do Negócios no via NOW. No entanto, diz, “a médio prazo, ou seja, finais de 2025, 2026, apontamos novamente para uma desvalorização do dólar, porque consideramos que a Fed (Suplente Federalista dos EUA) tenha mais espaço para trinchar as taxas de lucro do que o Banco Medial Europeu, porque vai continuar a possuir imprevisibilidade à volta das políticas de Trump”. “Espera-se que o diferencial do desempenho poupado da Zona Euro e dos Estados Unidos sejam cada vez menor, e também há que ter em conta os estímulos da economia alemã, que provavelmente vão desencadear um desenvolvimento poupado positivo na Zona Euro em 2026”, explica. Olhando para as causas da recente desvalorização do euro, Joana Vieira esclarece que se trata, em primeiro lugar, de uma reação face ao reforço do dólar, que beneficia de “uma surpreendente resiliência do estado da economia norte-americana, muito por força de um mercado de trabalho bastante sólido”. E também, diz, “porque o impacto da incerteza à volta das tarifas ainda não se está a fazer sentir na atividade das empresas e nos consumidores”. “Coligado a isto temos outro fator muito importante, que tem a ver com a Suplente Federalista norte-americana ter mantido as taxas de lucro inalteradas”, explica. A moeda europeia foi também pressionada pelo recente pacto tarifário entre os EUA e a UE, que fixa taxas de 15% às importações da Europa. “Foi visto uma vez que sendo desfavorável à União Europeia. O mercado começou a digerir os detalhes deste pacto, e interpreta que uma taxa de 15% vai ser prejudicial para a Zona Euro”, remata.
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