A Associação de Hotelaria de Portugal não está contra a venda de parte do capital da TAP, mas reitera o alerta da importância que é manter o “hub” da companhia aérea em Lisboa. Pelo turismo, mas também pelos negócios que um “hub” gera, diz Cristina Siza Vieira, na Conversa Capital. A vice-presidente da AHP considera que seria uma “tonteria” Lisboa perder o “hub”, admitindo que essa é uma ameaça real caso a Iberia seja a vencedora no processo de privatização. A AHP nunca se opôs à venda da TAP, mas alertou que o Governo não pode fazer cedências nas rotas e no “hub” de Lisboa. Como tem acompanhado este processo? Já sabíamos que eram estes três grupos que se iriam apresentar. Temos dito sempre que esses (as rotas e o “hub”) são fatores críticos. Excluir o “hub” de Lisboa da TAP é fatal. Nós somos a porta da Europa para o Atlântico Sul. A TAP tem realmente um mercado muito importante no Atlântico Sul, seja em África, seja na América Central e do Sul. Perder isto e deixar de ter o “hub” em Lisboa significava tornar-nos absolutamente secundários. O “hub” é muito importante. O “hub” gera negócio. A quantidade de negócios que são gerados em torno do “hub”, só por ser o “hub” de uma companhia aérea, é muito importante. Não é só pelo turismo. São as empresas todas que deixariam de vir para Lisboa, ou para Portugal, e passariam a ter de ir a Madrid. Ou o português que tem negócios no Brasil que tem ir apanhar um voo para Madrid para ir para o Brasil. Ou o americano que tem o voo direto… A entrada mais curta do continente americano na Europa é aqui. Nós somos secundários e periféricos, exceto para os EUA. Portanto, de repente dizer, não, agora tenho de ir a Madrid e de Madrid ainda tenho de apanhar voo para Lisboa. Vou usar a expressão que tem o mesmo significado em ambas as línguas: “Una tonteria”. Era uma “tonteria” perder o “hub” da TAP (em Lisboa) para Madrid. Desculpem, é uma “tonteria”. Não faz sentido. Foi anunciado um “hub” de manutenção no Porto, para ser construído até 2028. Sim, mas não é o “hub” central. O “hub” central tem de ser Lisboa. Portanto, sabemos que já há três manifestações de interesse. Há uma que não nos interessa, apesar das promessas que possam ser feitas. É do interesse estratégico da Iberia converter a Iberia na maior companhia da Península Ibérica e, portanto, a TAP tornar-se a secundária. Preferia a Lufthansa? Ou Lufthansa, ou também não se despreza totalmente, obviamente, a Air France – KLM Air France. Vamos ver quais são as condições que eles podem oferecer. A TAP pode vir a perder espaço dentro da Europa e em África se o comprador apenas tiver em vista a ligação à América Central e do Sul? Volto a repetir: seria uma “tonteria”, porque já sabemos de quem estamos a falar. É um capital fundamental. Se sai da TAP e vai para a órbita de outra companhia aérea… Vamos ver o que é que as propostas dizem. Todas elas vão fazer essas promessas de manter essas rotas na TAP. A questão é se efetivamente querem engordar outras (rotas) do outro lado. Confesso que me parece que gera muitos e difíceis desafios ter na TAP uma empresa que tem um “hub” concorrente tão próximo e que a prazo pode reforçar-se à custa de Lisboa.

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