O diretor-geral da Connect Europe considera, em entrevista à Lusa, que leste é “definitivamente um momento decisivo” para as telecomunicações e espera que até final do ano se assista uma mudança para “uma mentalidade de prolongamento”.
 
Alessandro Gropelli, que lidera a associação que representa os principais operadores de comunicações na Europa, considerou ser “definitivamente um momento decisivo, porque, por um lado, há a pressão geopolítica, mas, por outro, também a tecnologia está a mudar”.
O responsável foi um dos oradores do 34.º congresso da APDC, onde o porvir dos media e das comunicações foi discutido, em Lisboa.
O que está a sobrevir com as redes hoje “é que estão a ser virtualizadas e transformadas em nuvem”, diz. “Nessa transição, precisamos estar muito cientes de que queremos que a Europa permaneça na posição de liderança porque, caso contrário, em 10 anos”, poderá ter perdido.
Na dezena de 2000 “perdemos a Internet para o consumidor”, em 2010 “perdemos a revolução dos ‘smartphones’ e, na dezena de 2020, “corremos o risco de, se não investirmos o suficiente, perdermos também a conectividade, que é o que controlamos agora”, alerta.
Dito isso, “também quero expor uma coisa: precisamos martelar, uma vez que empresas, em bons relacionamentos transatlânticos e bons relacionamentos com os EUA, porque as cadeias de abstecimento são globais, permanecerão globais e a Europa e os EUA têm um relacionamento próprio”, prossegue Alessandro Gropelli.
“Muitas das empresas que nos ajudam a edificar redes e a fornecer serviços de notícia são dos EUA”, recorda.
Por isso, “precisamos de nos esforçar ao sumo para manter boas relações, e há sempre mudanças políticas, mas, uma vez que empresas, estamos cá para permanecer, para investir e continuar a crer nesse relacionamento, e Portugal está muito muito posicionado porque estamos a olhar para o outro lado do Atlântico”, sublinha.
Questionado sobre o que gostaria que acontecesse até ao final do ano, o diretor-geral da Connect Europe elege a mudança para um “‘mindset’ [mentalidade] de prolongamento”.
“Gostaria de ver que mudamos para uma mentalidade de prolongamento, estou no setor de telecomunicações há mais de 15 anos e tenho conversado bastante com o regulador e com as autoridades de concorrência” sobre o legado do setor.
“Precisamos pensar no porvir. Precisamos de pensar no prolongamento. Precisamos de pensar em 2030, 2040, não podemos pensar sempre no ano pretérito, neste ano ou no próximo”, insiste Alessandro Gropelli.
Ou por outra, aponta para a premência de ter graduação no setor: “Temos muitas operadoras de telecomunicações que são muito pequenas e isso tem um efeito”.
As operadoras de telecomunicações são, “obviamente, ativas nos mercados de serviços e, por exemplo, em voz e mensagens, já concorrem com as grandes empresas de tecnologia, pois há muitas alternativas para mensagens ou até mesmo para chamadas, que são baseadas na web”.
Mas também “competimos em áreas uma vez que a ‘cloud’, competimos em serviços uma vez que cibersegurança”, prossegue.
Agora, “imagine que é uma empresa pequena num fragmentado mercado europeu de 27 em que em cada há quatro ou até cinco operadoras de telecomunicações e depois concorre com uma gigante com uma capitalização de mercado de um trilhão de dólares”, ilustra, para questionar onde fica a Europa neste enquadramento.
“Por que não temos uma graduação maior? Às vezes, pensamos que graduação no setor de telecomunicações se resume unicamente à prestação do serviço de notícia para conectar uma moradia”, mas “não, também se trata da nossa capacidade de competir nos mercados digitais globais, porque as operadoras de telecomunicações são as principais empresas de tecnologia que temos na Europa hoje”, argumenta.
Alessandro Gropelli considera que um dos receios das pessoas é que se as operadoras de telecomunicações se consolidarem os preços vão subir e a concorrência diminuiu.
Na sua ótica, “por vezes três fortes ‘players’ que têm uma boa capacidade de investimento que podem concorrer entre si do que cinco em que cada um é fraco” favorece mais o mercado.
“Na minha opinião, não é do interesse público ter um operador de telecomunicações fraco porque o que ele faz é muito crítico”, salienta o responsável, defendendo que é preciso que as empresas do setor sejam fortes para investir e serem inovadoras.
Por exemplo, o apagão de robustez que a Península Ibérica sofreu recentemente demonstrou essa premência, diz.
“É preciso muita resiliência porque os nossos operadores de telecomunicações necessitam de investir” para que em futuros ‘apagões’ de eletricidade possam ter nascente de sustento de robustez de suplente.
Isso significa “muito investimento” e em Portugal “sabemos que alguns operadores estiveram melhor [a nível de desempenho] do que outros porque investiram mais nos últimos anos em resiliência da sua rede”, destaca.
Um segundo ponto, é que “na vida nem tudo é unicamente preço” porque os cidadãos não são unicamente consumidores.
Os cidadãos “têm interesse em preços acessíveis, mas também num bom ocupação, têm interesse numa conexão segura e talvez em usar uma ‘cloud’ que não esteja sediada na China ou nos EUA, mas que esteja cá na Europa para que não haja um ‘kill switch’ [apagão]” da informação que está disponível na ‘cloud’, aponta.
“Se um presidente combinar uma manhã e deliberar desligar [o acesso à ‘cloud’] não o teremos mais”, por isso, “precisamos, uma vez que europeus, ser capazes de colaborar com todos no mundo, porque a colaboração é boa, mas também ter nossos próprios serviços e graduação também é importante”.
Leia Também: Presidenciais? “Partido Socialista não devia estribar nenhum candidato”

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts