Tarifas e guerra mercantil, invasão da Ucrânia, conflitos no Médio Oriente. O mundo está em mudança e não vai voltar ao que era, avisa o velho presidente da Percentagem Europeia. “Nunca nas últimas décadas o contexto geopolítico representou um risco tão significativo para o tecido empresarial europeu e português”, afirmou Durão Barroso numa conferência organizada pela Associação Business Roundtable Portugal (BRP) no Porto.


“Com o que se passou com a Rússia, as grandes empresas tiveram de retirar-se de um dia para o outro. Há uma mudança radical. Estamos numa temporada de transição. Esta ordem mundial já não existe, mas ninguém sabe a que aí vem”, atirou.

Estamos numa temporada de transição. Esta ordem mundial já não existe, mas ninguém sabe a que aí vem.
José Manuel Durão Barroso, velho presidente da Percentagem Europeia.


“O mundo nunca mais vai voltar a ser o mesmo”, acrescentou, identificando uma figura médio nessa mudança: “Trump é o grande disruptor”.


Desde logo no transacção internacional: “Hoje em dia simplesmente não há Organização Mundial do Transacção”, ironizou, argumentando que “vender a teoria de transacção livre neste contexto é impossível”

“À UE, uma termo: obrigado”


Numa mediação que teve tanto de reconhecimento das falhas na União Europeia porquê de resguardo acérrima dos 27, o velho primeiro-ministro português respondeu às observações lançadas na mesma conferência pelo economista Nuno Palma, para quem o país está “a viver de empréstimos”. “Os salários não correspondem à produtividade do país”, afirmou, defendendo que as muitas dezenas de milhares de milhões de euros de fundos europeus que Portugal recebeu ao longo de décadas serviram para desresponsabilizar o país, que na sua ótica não convergiu com a Europa.


Zero mais longe da verdade, acredita Durão Barroso. “Portugal não teria a mortalidade infantil ou a esperança de vida que tem sem a União Europeia”, reafirmou, insistindo que em vários indicadores Portugal está mais próximo da Europa. “Nós convergimos. E se outros nos ultrapassaram, foi graças a fundos europeus” que eles próprios receberam – casos, por exemplo, da República Checa, da Polónia e da Roménia.


“Quando o muro de Berlim caiu diziam que a Ucrânia ia ser incrível”, exemplificou. E agora? “A Polónia está várias vezes supra da Ucrânia graças à União Europeia”. Uma reparo que era válida antes da invasão russa, enfatizou.


“O que era melhor? A União não subsistir?”, questionou, projetando o exemplo do que poderia ter sido a vida dos países europeus mais pobres durante o período do covid-19. “Na pandemia, Portugal e Roménia competirem com a Alemanha e a Suécia na compra de vacinas?”, atirou, concluindo que “para a União Europeia há uma termo: obrigado”.

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