Nos últimos seis meses, a Dualis Capital praticamente duplicou a sua participação no capital social da Teixeira Duarte, tendo esta quarta-feira, 17 de setembro, comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que tinha ultrapassado a fasquia dos 10%. “Por referência a 12 de setembro de 2025”, a participação imputável à Dualis Capital “passa a ser composta por 42.113.820 ações, representativas de 10,02701% do capital social e dos respetivos direitos de voto da Teixeira Duarte”, reportou a construtora sobre a sociedade detida a meias por Eduardo Sardo, dono do grupo imobiliário IDS, e Gaspar Ferreira, empresário que controla o grupo Ferreira. “Estamos confortáveis ​​com a participação atual, mas não excluímos a possibilidade de novos reforços”, admitiu Eduardo Sardo, em declarações ao Negócios. Questionado sobre se a Dualis Capital vai exigir um assento no “board” da construtora cotada, o empresário confirmou que, “nesta fase, a envolvência exige uma maior aproximação à administração, encontrando-se neste momento vários cenários em análise”. Nesta fase, a envolvência exige uma maior aproximação à administração. Eduardo SardoSócio da Dualis A 2 de setembro, em entrevista ao Negócios, Sardo explicava que “a abertura para reforços adicionais” no capital da empresa que vai integrar o principal índice (PSI) da bolsa nacional – a partir de dia 22 de setembro – “ganhou especial relevância após o recente acordo celebrado entre a Teixeira Duarte e a banca”. Um acordo que, na ótica da Dualis Capital, “introduz elementos de estabilidade financeira importantes para os próximos anos, reforçando o balanço da empresa”, considerando que, desde a reestruturação financeira, a Teixeira Duarte “passou a dispor de um balanço significativamente mais robusto e apresenta uma postura mais competitiva e ambiciosa no mercado”. De resto, Sardo preconizou que “a entrada de um parceiro como a Dualis Capital poderá acelerar essa transformação”, sinalizando que “a nova fase da Dualis Capital contempla igualmente a possibilidade de criação de sinergias com a Teixeira Duarte em áreas como engenharia, promoção imobiliária e internacionalização”. “Acreditamos profundamente no valor estratégico da Teixeira Duarte e na capacidade de construir uma relação próxima, e mutuamente vantajosa, entre grupos com experiências complementares”, sublinhou o empresário nortenho, com a Dualis Capital a afirmar-se “como investidor estratégico, ativo e comprometido, determinado a apoiar o desenvolvimento de empresas nacionais com forte potencial”. “Esta parceria poderá marcar o início de uma nova etapa para a Teixeira Duarte, com maior ambição, solidez e visão estratégica”, concluía Sardo. Acreditamos profundamente no valor estratégico da Teixeira Duarte e na capacidade de construir uma relação próxima. Eduardo SardoSócio da Dualis Pouco mais de uma semana depois, João Moreira, administrador da Ferreira, revelava ao Negócios que o grupo nortenho e a Teixeira Duarte tinham decidido formar uma candidatura conjunta para a construção da fábrica da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira, num terreno com uma área de 230 mil metros quadrados adquirido pela multinacional alemã ao grupo controlado e liderado por Gaspar Ferreira. Em causa está a construção de uma fábrica dedicada à manutenção, reparação e revisão de peças de motores e componentes de aeronaves, num investimento estimado de 228 milhões de euros e que prevê a criação de cerca de 700 postos de trabalho. O consórcio entre a Teixeira Duarte e a Ferreira corporiza a primeira candidatura conjunta da construtora liderada pela família fundadora e o seu segundo maior acionista. A Teixeira Duarte fechou o primeiro semestre deste ano com lucros de 42,4 milhões de euros, um resultado superior em mais de quatro vezes ao obtido no mesmo período do ano passado, devido ao impacto positivo dos resultados financeiros do acordo de refinanciamento que assinou em março com BCP, CGD e Novo Banco.

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