O stock da dívida directa do sector empresarial do Estado (SEE) registou um crescimento de 2,1% no terceiro trimestre de 2025, atingindo o montante de cerca de 625,4 milhões de euros, segundo dados divulgados pelo Ministério das Finanças. Este crescimento corresponde a uma variação de 12,8 milhões de euros face ao trimestre anterior e foi impulsionado principalmente pela contratação de um novo financiamento externo pela Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), no valor de de 7 milhões de euros. A operação visou reforçar a tesouraria da empresa e apoiar novos investimentos. Contribuíram também para o aumento da dívida as empresas PETROMOC, LAM e CFM, cujos níveis de endividamento interno subiram. A PETROMOC, por exemplo, viu o seu saldo crescer 6 milhões de euros, destinados ao co-financiamento da expansão do Terminal de Combustíveis de Pemba. A EMOSE teve um acréscimo de 4,5 milhões de euros, enquanto a LAM registou uma subida mais modesta, na ordem dos 300 mil euros.advertisement Por outro lado, a componente externa da dívida do SEE registou uma redução de 2,5%, baixando de 292,4 milhões para 285 milhões de euros. Esta contracção foi influenciada sobretudo pela descida do nível de endividamento de empresas participadas, como o Banco Nacional de Investimentos (BNI), cuja dívida caiu mais de 75%, e da PETROMOC, com uma redução de 25%. Em contraste, a Electricidade de Moçambique (EDM) viu a sua dívida externa subir ligeiramente, em cerca de 1,5 milhão de euros, o que representa um aumento de 2,7% em relação ao trimestre anterior. No total, a dívida interna do SEE cresceu de 327 milhões para 340,4 milhões de euros, um acréscimo de 4,1%. Esta evolução evidencia uma maior dependência do financiamento interno por parte das empresas estatais, numa altura em que o custo de crédito externo continua elevado e o acesso a novas linhas de financiamento internacionais se mantém limitado. A estrutura da dívida do sector empresarial continua fortemente exposta a taxas de juro variáveis, que representam 90% do total. Apenas 10% estão associados a taxas fixas, o que pode agravar os encargos financeiros caso se verifique um aumento das taxas de referência no mercado. Do ponto de vista cambial, a maior parte da dívida directa do SEE está denominada em dólares norte-americanos, com uma fatia de 68,2%, enquanto o metical representa 31,4% e o euro apenas 0,4% do total. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement
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