advertisemen tOs distritos de Magude e Boane, na província de Maputo, região Sul, já estão a registar falya de produtos alimentares e de combustíveis na sequência da subida dos níveis dos caudais das bacias hidrográficas de Incomáti e Umbelúzi, uma situação causada pelas cheias que se fazem sentir em quase todo o País desde a semana passada. Citada pela Rádio Moçambique, a administradora de Magude, Mariana Cupane, descreveu que o cenário é preocupante, assumindo que as lojas começaram a ficar sem produtos alimentares e sem meios para o reabastecimento, recordando que estas zonas encontram-se isoladas devido à destruição das vias de acesso. “O caso tende a agravar-se, em toda a região, continuamos com escassez de produtos a nível das lojas e fornecedores, também enfrentamos o problema da falta de combustível nas nossas bombas”, acrescentando que a situação pode prevalecer enquanto os níveis das águas continuarem altos. No início desta semana, o Ministério dos Transportes e Logística informou que as chuvas ininterruptas que estão a causar cheias um pouco por todo o território nacional, frisando que a região Sul é a mais prejudicada, com cerca de 40% da província de Gaza submersa e distritos da província de Maputo inundados e, nalgumas situações, isolados. Num comunicado o Executivo revelou que, da avaliação feita até sexta-feira (16), pelo menos 152 quilómetros de estrada já estavam completamente destruídos e mais de três mil quilómetros praticamente intransitáveis. “Há zonas críticas, em Gaza, Maputo e também em Sofala, como resultado da emergência do nível das águas”, descreveu. Na semana passada, a Administração Nacional de Estradas (ANE) suspendeu a circulação no troço Incoluane-3 de Fevereiro, ao longo da Estrada Nacional Número 1 (N1), devido à subida do caudal do rio Incomáti. “A subida do caudal do rio Incomáti fez galgar uma extensão de aproximadamente três quilómetros da N1. Neste sentido, ordenou-se a suspensão imediata da circulação de todo o tipo de viaturas neste troço”, avançou a entidade por meio de um comunicado. Nesta quarta-feira (21), o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) emitiu um aviso de alerta amarelo devido à aproximação de uma depressão tropical no Canal de Moçambique, prevendo-se que venha a agravar o cenário de emergência já instalado no sul do País, onde se registam cheias generalizadas e populações sitiadas. Numa das suas intervenções recentes, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) alertou que Moçambique pode estar perante uma situação de cheias potencialmente mais grave do que a registada em 2000, na qual morreram aproximadamente 800 pessoas, naquela que é considerada uma das maiores catástrofes naturais da história do País. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais As cheias de 2000 em Moçambique foram provocadas por chuvas intensas e ciclones tropicais, que atingiram sobretudo as bacias dos rios Limpopo, Incomáti, Umbelúzi e Save, afectando gravemente o sul e centro do País. O desastre deixou milhões de afectados, destruiu infra-estruturas, habitações e campos agrícolas e provocou elevados prejuízos económicos. Actualmente, o Governo enfrenta um défice de 6,6 mil milhões de meticais para responder à actual época chuvosa, num contexto em que são necessários 14 mil milhões de meticais para assegurar a assistência humanitária, apoio aos deslocados, serviços de saúde e alimentação nos centros de acomodação. Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement
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