Num mercado em constante inovação e cada vez mais dependente da tecnologia, novos aspectos do quotidiano ganham relevância. A gestão e segurança dos dados tornaram-se questões centrais para  empresas, instituições e governos. Para a Bubble Cloud Mozambique, são um compromisso diário.

Em Moçambique, a Bubble surge como pioneira na disponibilização de uma “data resident cloud” — solução de armazenamento e processamento de dados em centros localizados no País, garantindo soberania digital e conformidade com a legislação nacional.

Criada em 2023, como resultado de um consórcio entre a Triana Business (tecnológica moçambicana) e a sul-africana Strategix, a Bubble Cloud Mozambique posiciona-se como alternativa local às grandes plataformas internacionais, respondendo a preocupações crescentes com privacidade, regulação e custos de investimento em TI.a d v e r t i s e m e n t

Em entrevista à E&M, Cameron Smith, director de Desenvolvimento de Negócios da Bubble Cloud Mozambique, explica a estratégia da empresa, os desafios do sector e as oportunidades que se abrem para o futuro da cloud em Moçambique.

O que é a Bubble e como surgiu?

A Bubble é uma “data resident cloud”, formalmente constituída como Bubble Cloud Mozambique. A empresa nasceu há cerca de três anos como um consórcio entre a Triana, bastante reconhecida no mercado moçambicano pelas suas soluções de TI, e a sul-africana Strategix, especializada em gestão de cloud. Em 2023, formalizámos a criação da empresa e começámos a instalar o equipamento em Maputo. Logo em Maio desse ano conquistámos os primeiros clientes e, desde então temos crescido consistentemente até que, em 2025, pretendemos activar o nosso segundo data center no País.

A Bubble diferencia-se, porque fornece directamente a infra-estrutura de “cloud”, com redundância, segurança e gestão integrada

Qual é o principal diferencial da vossa oferta na cloud?

O nosso centro de dados está localizado em Moçambique, o que garante que todo o processamento e armazenamento decorrem dentro do território nacional, ao contrário da maioria das “clouds” internacionais, que funcionam em servidores no estrangeiro. É esta a nossa proposta de valor: oferecer a mesma flexibilidade das grandes plataformas globais, mas com dados residentes no País, tendo assim as questões da soberania dos dados devidamente acautelada. As outras vantagens estão na disponibilidade, escalabilidade e redução de custos, já que a capacidade que disponibilizamos é partilhada.

E qual a importância de ter uma “cloud” residente?

As principais questões são a soberania e a segurança dos dados. Se os servidores estão fora, os dados ficam sujeitos à legislação do país onde se encontram. Imagine, como exemplo, apenas, que os EUA decidem que todos os dados armazenados no país podem ser monitorizados pelos serviços de segurança. Isso iria expor informação de empresas moçambicanas sem o seu consentimento. Ter os dados em Moçambique significa que são apenas regulados pela lei moçambicana.

Mas a localização, por si só, garante a segurança dos dados?

Não apenas isso, porque a localização é apenas um elemento. O que garante a segurança é a combinação entre legislação, boas práticas de gestão de dados e cibersegurança. Na Europa, por exemplo, o Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) é considerado o padrão a seguir a nível mundial. Mais do que dizer que tecnologia usar, obriga as empresas a demonstrarem que pensaram de forma sistemática sobre os dados que recolhem, a sua relevância e a forma como os protegem.

“As principais questões são a soberania e a segurança dos dados. Se os servidores estão fora, estes ficam sujeitos à legislação do país onde se encontram”

Além disso, a cibersegurança é crítica: limitar acessos internos apenas a quem precisa, usar redundâncias para garantir que o sistema nunca fica “off”, aplicar firewalls e cópias de segurança isoladas. A Bubble oferece todas estas ferramentas de base.

Que vantagens adicionais tem a vossa solução em relação à aquisição de servidores próprios, algo que muitas empresas ainda fazem?

A redundância é um bom exemplo. Na Bubble temos múltiplos equipamentos de cada tipo. Se um falha, outro assume automaticamente. Para um cliente individual, replicar esse nível de redundância seria caríssimo. Connosco, o cliente aluga um servidor virtual, que pode usar qualquer um dos vários servidores físicos disponíveis, garantindo que nunca fica sem serviço. Outro ponto importante é o modelo de investimento: em vez de gastar grandes montantes de cinco em cinco anos em novos servidores, o cliente paga apenas o que precisa de usar em cada mês. Se precisa de mais capacidade, aumenta; se deixa de precisar, reduz imediatamente os custos e isto traz competitividade às empresas.

Como tem sido a aceitação da Bubble Cloud no mercado?

Tivemos o primeiro cliente em Maio de 2024 e, desde então, temos adicionado novos clientes praticamente a cada dois meses. Já trabalhamos com sectores como os de energia, recursos naturais e finanças, incluindo a banca. O ciclo de vendas é longo, cerca de seis meses, porque quando falamos de adquirir este tipo de serviço estamos sempre a falar de uma decisão estratégica, mas a aceitação, digo-o, é cada vez maior.

Que desafios enfrentam no sector?

O maior desafio está na regulação. O Banco de Moçambique, por exemplo, ainda não estabeleceu critérios claros para o uso de “clouds” por instituições financeiras reguladas. Isto gera insegurança e obriga cada banco a passar pelo seu próprio processo de conformidade, em vez de haver um enquadramento único, como acontece noutras jurisdições. Ao mesmo tempo, muitas empresas ainda não atingiram a sua plena maturidade digital e é para suprir esta necessidade que criámos um serviço de gestão dos servidores virtuais. No entanto, acreditamos que isso só vem mostrar o enorme potencial de crescimento deste mercado.

Como vê o futuro da “cloud” em Moçambique?

Vejo um enorme espaço para crescimento. As empresas ainda não estão totalmente preparadas, mas a tendência é clara: a “cloud” permite reduzir custos, aumentar segurança e eliminar investimentos pesados em TI que não fazem parte do negócio principal das empresas. O nosso objectivo é simples: da próxima vez que alguém considerar comprar servidores, que pense também na opção Bubble. Muitas vezes, sai mais barato, mais seguro e mais eficiente. A Bubble posiciona-se como o primeiro grande operador de “data resident cloud”, em Moçambique, combinando localização nacional, segurança avançada, redundância e um modelo de custos flexível. Num contexto de incerteza económica, é uma proposta que pode transformar a forma como empresas e instituições gerem os seus dados no País.

Texto & Fotografia • M4Da d v e r t i s e m e n t

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