
Os últimos dias têm sido marcados pelo escalar de tensões entre os EUA e a Dinamarca em relação à Groenlândia e, de acordo com o Le Parisien, parece que o país europeu está disposto a tomar medidas preventivas para reforçar a sua segurança digital. Conta a publicação que as autoridades dinamarquesas emitiram um aviso para que os elementos das forças de segurança e oficiais das agências governamentais não ativem o Bluetooth dos telemóveis, evitem usar auriculares sem fios – como AirPods – e outros dispositivos que tirem partido desta tecnologia de ligação sem fios no exercício das suas funções. O departamento de cibersegurança da polícia dinamarquesa partilhou até um comunicado com os órgãos de comunicação social do país onde dá conta desta recomendação de “desativar o Bluetooth de telemóveis, tablets, computadores e outros dispositivos similares como parte do seu trabalho, seja profissional ou pessoal, até que seja decretado o contrário”. Fica assim claro que, no âmbito das tensões com os EUA, a Dinamarca teme que os seus oficiais governamentais sejam alvo de ciberataques e que, desta forma, interceptam fluxos de dados e comunicação – o que pode comprometer informação considerada crítica. Dinamarca defende presença da NATO da Gronelândia A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, defendeu esta terça-feira, dia 20, que a solução para a segurança da Gronelândia poderia ser uma presença permanente da NATO, ao estilo dos países bálticos, afirmando que Copenhaga fez esse pedido à Aliança Atlântica. “O que propusemos através da NATO é uma presença mais permanente na Gronelândia e arredores”, disse, em declarações reportadas pela agência Ritzau, após uma sessão de escrutínio parlamentar em Copenhaga. A proposta é inspirada no trabalho da aliança na região do Mar Báltico, onde as tropas da NATO estão permanentemente estacionadas na Estónia, Letónia e Lituânia e também cooperam na vigilância marítima através da missão chamada “Baltic Sentinel”. O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse hoje que “nenhuma pessoa ou presidente fez mais pela NATO”, numa mensagem dirigida aos países da Aliança, vários dos quais ameaçou com tarifas por enviarem tropas para a Gronelândia. Lusa | 19:14 – 20/01/2026 “Isto pode ser transferido para a região ártica”, considerou Frederiksen. Perante as pressões do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anexar a Gronelândia, o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, e a ministra dos Negócios Estrangeiros da ilha ártica, Vivian Motzfeldt, propuseram ao secretário-geral da NATO, Mark Rutte, uma missão em redor do território autónomo do Reino da Dinamarca. Frederiksen comentou hoje que “houve uma resposta positiva” ao compromisso da NATO em reforçar a segurança. A primeira-ministra dinamarquesa também aludiu às manobras militares designadas como “Resistência Ártica”, levadas a cabo pelas forças armadas dinamarquesas na Gronelândia e que foram acompanhadas por alguns aliados europeus da NATO, sublinhando que não se trata de uma reação contra os Estados Unidos, com os quais houve “total transparência”. Outros países enviaram militares em reconhecimento para explorar possibilidades de cooperação. No sábado, Donald Trump afirmou que pretende cobrar tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre mercadorias de oito países europeus devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, entre os quais seis Estados-membros da União Europeia (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido). A imposição de tarifas manter-se-ia até que fosse alcançado um acordo “para a compra total da Gronelândia” por Washington. Leia Também: Operação militar “é improvável”, mas ilha deve estar preparada
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