A Corporação Financeira Internacional para o Desenvolvimento (DFC, em inglês) dos Estados Unidos da América (EUA) assinou, nesta quarta-feira (17), um empréstimo de 553 milhões de dólares com um consórcio das empresas Lobito Atlantic Railway, para a renovação de uma linha ferroviária angolana, parte do corredor de transporte de minerais críticos de Lobito, reportou a Reuters. O Corredor Lobito, apoiado pelos EUA, que ligará minas de cobre e cobalto à costa atlântica, faz parte da iniciativa global de Washington para garantir o acesso a metais estratégicos e dos seus esforços para contrariar a influência chinesa em África. Nos termos do acordo assinado numa cerimónia em Washington, a DFC irá financiar a LAR, um consórcio formado pela portuguesa Mota Engil, pela empresa de comércio de matérias-primas Trafigura e pela empresa ferroviária Vecturis SA.advertisement O Banco de Desenvolvimento da África Austral (DBSA) contribuirá com mais 200 milhões de dólares ao abrigo do acordo, que foi inicialmente divulgado no ano passado, mas só agora finalizado. O acordo “sublinha o compromisso dos EUA em promover infra-estruturas estratégicas que promovam o comércio regional, o crescimento económico mútuo e a cooperação a longo prazo entre os EUA e África”, afirmou a DFC num comunicado. Washington enfrenta a China em África Os fundos apoiarão também a reabilitação e operação de um porto mineral existente no Lobito, de acordo com a agência de desenvolvimento, aumentando a capacidade de transporte em dez vezes para 4,6 milhões de toneladas métricas e reduzindo o custo do transporte de minerais críticos até 30%. A LAR, que em 2022 ganhou o contrato para operar a linha ferroviária de Benguela por três décadas, também afirmou no passado que usará o empréstimo para investir em mais material circulante e formação de pessoal. O projecto do Corredor do Lobito foi concebido para contrariar o renascimento, apoiado pela China, do corredor ferroviário Tanzânia-Zâmbia, e irá ligar os campos de cobre na Zâmbia e as minas de cobalto na República Democrática do Congo (RDC) ao porto de Lobito, em Angola, na costa atlântica, por via férrea. A CCECC anunciou, no início deste ano, que investirá 1,4 mil milhões de dólares na reabilitação da ferrovia rival Tanzânia-Zâmbia A infra-estrutura envolve a construção de 515 km (320 milhas) de linhas ferroviárias na Zâmbia e outros 315 km (196 milhas) na RDC, que se ligarão à linha Benguela existente de 1300 km (808 milhas), em Angola. A Africa Finance Corporation, com sede em Lagos, Nigéria, que é a principal promotora do corredor, solicitou propostas a empreiteiros para a construção do troço da Zâmbia da nova ferrovia, após concluir um estudo de viabilidade. Os promotores planeiam finalizar mais acordos de financiamento até ao final de 2026, declarou um alto funcionário da AFC à Reuters em Setembro. A China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) anunciou, no início deste ano, que investirá 1,4 mil milhões de dólares na reabilitação da ferrovia rival Tanzânia-Zâmbia, que utiliza os portos da Tanzânia para o transporte de minerais.
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