
Dona da Google reforça receios de “bolha” na IA e atira Ásia e Europa para o vermelho
As principais praças asiáticas foram contagiadas pelo mais recente “sell-off” no setor tecnológico, com os investidores mais uma vez preocupados com os grandes investimentos necessários para alimentar a inteligência artificial (IA). Os receios foram reforçados pelos resultados da Alphabet, depois de a dona da Google ter previsto gastar entre 175 mil milhões a 185 mil milhões em 2026, contra os 119,5 mil milhões esperados pelos analistas, com grande parte do valor a ser canalizado para a IA.
Uma série de resultados desapontantes de gigantes do setor, como é o caso da Qualcomm e da Advanced Micro Devices (AMD), só estão a reforçar a narrativa de que existe uma “bolha” de IA no mercado. As tecnológicas já tinham sido pressionadas na sessão de quarta-feira, quando a Anthropic lançou uma ferramenta de automação para a área jurídica que levou os investidores a recearem que a IA poderia suplantar os mais tradicionais modelos de software.
Neste contexto, o MSCI Asia-Pacific Index – o “benchmark” para a negociação asiática – caiu quase 2% esta quinta-feira, com o sul-coreano Kospi a liderar as perdas regionais, ao ceder 3,9%. O índice foi pressionado pelas quedas acentuadas de empresas como a Samsung e a SK Hynix, que encerraram a sessão a afundar 5,8% e 6,44%, respetivamente.
Pelo Japão, o sentimento manteve-se com o Nikkei 225 a recuar de máximos históricos e a cair 0,88%, com o banco de investimento SoftBank Group – que tem grandes participações numa série de empresas ligadas à IA – a mergulhar mais de 7%. Já na China, as perdas foram mais limitadas, com o Hang Seng, de Hong Kong, e o Shanghai Composite a cederem apenas 0,2% e 0,6%, respetivamente.
“Os mercados asiáticos estão a ser afetados pela onda de vendas que ocorreram durante a noite (de quarta-feira) em Wall Street”, explica Nick Twidale, analista-chefe de mercados da AT Global Markets, à Bloomberg. “Não sei se podemos dizer que o pico das tecnológicas foi atingido, mas acho que há espaço no mercado para mais correções. É a tradicional venda de tecnologia e o retorno a setores mais defensivos”, acrescenta.
Na Europa, a negociação de futuros ainda arrancou no verde, mas rapidamente o pessimismo alastrou-se para o continente, que aponta agora para uma abertura em território negativo com o Euro Stoxx a cair 0,1%. As atenções dos investidores vira-se agora para os resultados da Amazon, numa época de resultados que está a ser especialmente difícil para as “Sete Magníficas”.
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