
“Há uma maior convergência ibérica, com muitas narrativas desinformativas semelhantes entre Portugal e Espanha”, afirma à Lusa Gustavo Cardoso, destacando a internacionalização dos temas que marcam a desinformação. O professor universitário do ISCTE começa por explicar que Espanha tem uma polarização política muito mais intensa do que Portugal, havendo muito mais desinformação política. “Em Portugal também existe, mas é menos sistémico. Em Espanha, já faz parte do ambiente político, há um padrão de desinformação e em Portugal quando surge algo mais polarizador, isso sobressai”, refere o coordenador português do projeto de combate à desinformação Iberifier. A imigração, em particular associada a comunidades muçulmanas, foi o principal foco da desinformação em Portugal ao longo de 2025, afirma o coordenador do projeto de combate à desinformação Iberifier em Portugal, Gustavo Cardoso. Lusa | 09:28 – 18/12/2025 No que diz respeito à imigração, por exemplo, em Espanha a imigração é muito mais associada a crimes violentos e ameaças à segurança. Já em Portugal, permanece a ideia de que há prejuízos injustos e mais pressão nos serviços públicos. Além disso, “há muito mais negacionismo a adaptações climáticas na desinformação espanhola, e mesmo a ideia de conspiração anti-ciência, do que em Portugal”. “Em Portugal, surge muito a ideia de má gestão das coisas”, acrescenta o académico. Em termos políticos, as coisas em Portugal acontecem “em picos”, como a queda do Governo, as eleições legislativas ou as presidenciais, enquanto em Espanha “os ataques às figuras políticas, como Pedro Sánchez, são constantes. É muito mais sistémico”, argumenta. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, considerou hoje que o combate à desinformação é uma tarefa que não deve ser apenas confiada ao serviço público da RTP mas também à Lusa, num esforço comum respeitando a independência mútua. Lusa | 16:28 – 15/12/2025 Além disso, “Espanha tem muito mais desinformação pró-russa do que Portugal, embora também já apareçam algumas coisas”, relacionadas nomeadamente com questões europeias, refere o professor universitário. Em relação às grandes plataformas digitais, principal motor de disseminação de desinformação, a rede social X “é muito mais central nessa prática”. “OX em Portugal tem uma utilização residual, mas muitas coisas aparecem nesta rede e depois ganham outra vida nas outras plataformas”, explica Gustavo Cardoso, dizendo que no caso espanhol o X “tem um peso superior ao português”. Leia Também: Governo britânico sanciona pessoas e entidades russas (por desinformação)
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